A Telecom Italia, antiga monopolista de telecomunicações da Itália, viu-se em 2018 no meio de uma guerra de procurações entre seu maior acionista, o grupo de mídia francês Vivendi, e o fundo ativista americano Elliott Management. A Elliott conquistou o controle do conselho em maio de 2018, mas o conselho inicialmente manteve Amos Genish, indicado pela Vivendi e que se tornara CEO em 2017, no cargo.
Em 13 de novembro de 2018, o conselho apoiado pela Elliott demitiu Genish enquanto ele estava em viagem de negócios na Ásia e não deu nenhuma explicação pública para a medida. Genish condenou a demissão como um "putsch à moda soviética" e disse à Reuters que o conselho havia se tornado disfuncional. A Vivendi classificou a medida como uma manobra cínica e resguardou seus direitos. Cinco dias depois, o conselho nomeou Luigi Gubitosi, conselheiro apoiado pela Elliott e ex-CEO da Wind, como novo CEO.
A mudança abrupta aprofundou a paralisia de governança. A Vivendi exigiu uma assembleia extraordinária de acionistas, as ações da TIM já haviam caído cerca de 30% naquele ano, e a empresa passou por uma sucessão de CEOs e mudanças estratégicas ao longo de anos. O episódio tornou-se um caso exemplar de como um conselho capturado por ativistas pode desestabilizar uma empresa ao remover um líder sem uma estratégia visível e compartilhada.
O conselho apoiado pela Elliott demitiu o CEO Amos Genish em um putsch público, aprofundando a paralisia enquanto as ações caíam 30% naquele ano e a Vivendi exigia uma assembleia de acionistas.
A Elliott conquistou o controle do conselho, mas não tinha uma estratégia unificada além de substituir o CEO alinhado à Vivendi
O conselho demitiu Genish enquanto ele estava no exterior e sem um motivo transparente, minando a credibilidade da governança
A Vivendi e a Elliott trataram a Telecom Italia como campo de batalha de visões conflitantes, deixando a empresa paralisada
Os conselheiros optaram por um putsch público em vez de uma transição administrada, ampliando a incerteza estratégica
A lição
Um golpe dentro do conselho sem uma estratégia compartilhada substitui um problema por três: incerteza, conflito e a fuga de líderes talentosos.
Luigi Gubitosi tornou-se CEO e buscou a cisão da rede de telefonia fixa, mas a TIM permaneceu presa entre a Vivendi e a Elliott. As ações da empresa tiveram desempenho inferior, as disputas de governança continuaram por anos, e a antiga monopolista acabou concordando em separar seus ativos de rede em uma entidade com influência estatal.
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