Em 10 de março de 2026, a assembleia de acionistas da Hoepli — a histórica editora milanesa fundada 156 anos antes — votou pela 'dissolução voluntária da sociedade e sua liquidação'. A nota da empresa atribuiu a decisão a "uma reflexão dolorosa e aprofundada sobre a situação geral da empresa", citando resultados operacionais negativos correlacionados com a tendência prevista do mercado editorial e livreiro e um 'grave conflito endossocietário' — as contas e a guerra interna, somadas.
A ruptura tornou-se pública imediatamente. Giovanni Nava, acionista com 30 por cento, atacou a maioria por votar pela liquidação e venda da empresa "mesmo que seja fragmentada em ramos ou mesmo fragmentada por completo", disse ter se oposto a 'essa deriva' e acusou a maioria de nunca ter considerado entregar um relançamento a uma nova gestão. Prometeu "continuar a batalha em todas as instâncias e com todos os meios disponibilizados pela lei" para salvaguardar a editora e a livraria que chamou de "um pedaço da história da Itália".
As consequências foram imediatas: os 90 trabalhadores da Hoepli fizeram uma greve de uma hora na mesma tarde e anunciaram um flash mob para 14 de março, e o prefeito de Milão, Giuseppe Sala, pediu que a responsabilidade com os funcionários e leitores prevalecesse "sobre as divergências dentro da família". A advogada Laura Limido foi nomeada para conduzir a liquidação com o objetivo declarado de preservar o valor dos ativos da empresa para credores, funcionários e todos os envolvidos.
A liquidação voluntária de uma editora de 156 anos, sua venda fragmentada em ramos, com os empregos de 90 trabalhadores e a livraria mais icônica de Milão em jogo.
A empresa apontou duas causas — um mercado editorial em retração e um conflito entre acionistas — e o conflito foi o que fez da liquidação a única via sobre a mesa.
A maioria escolheu a dissolução e a venda ramo a ramo em vez de testar um relançamento sob nova gestão, a opção que seu próprio acionista de 30% disse nunca ter sido considerada.
Uma marca de 156 anos construída sobre a continuidade mostrou-se frágil exatamente onde as empresas familiares italianas são mais fracas: propriedade, estratégia e poder.
A decisão tratou a empresa como ativos a preservar, e não como um negócio em funcionamento a salvar, aceitando a dispersão de uma instituição cultural.
A lição
Propriedade familiar sem mecanismo de resolução de disputas é uma liquidação em câmera lenta: o mercado raramente mata uma empresa de tradição antes que os acionistas o façam.
A advogada de liquidação Laura Limido assumiu com o mandato de uma gestão 'imparcial e eficiente'. Os trabalhadores entraram em greve em poucas horas e planejaram um flash mob; o prefeito pressionou publicamente por uma solução; e Nava prometeu batalha judicial em todas as instâncias, deixando o destino da livraria, da marca e de 90 empregos ao processo de liquidação.
CONFIRA AS EVIDÊNCIAS
As fontes
- Hoepli, shareholders' meeting decides on liquidation Il Sole 24 Ore · en.ilsole24ore.com ·