Em 2015, a MBK Partners comprou a Homeplus da Tesco por ₩7,2 trilhões (US$ 4,9 bilhões) — uma das maiores aquisições alavancadas da Ásia, financiada com ₩2,2 trilhões de capital próprio e ₩5 trilhões de dívida de aquisição lançada sobre o próprio balanço da varejista. Por uma década, a rede de hipermercados sul-coreana de 126 lojas serviu a estrutura de capital montada para comprá-la.

A conta chegou no início de 2025. A Korea Investors Service cortou a nota dos títulos corporativos da Homeplus de A3 para A3 menos, citando queda de rentabilidade, endividamento elevado e competitividade incerta — e o rebaixamento fez o que rebaixamentos em cláusulas de empréstimo fazem: acionou o vencimento antecipado obrigatório de parte dos financiamentos. Em novembro de 2024, a rede carregava ₩5,31 trilhões em dívida líquida, com relação dívida/capital próprio de 1.408,6%. Em 4 de março de 2025, a Homeplus protocolou pedido de recuperação judicial sob supervisão do Tribunal de Falências de Seul.

A recuperação não pôde ser montada. Em julho de 2026, o tribunal encerrou o processo, concluindo não haver plano concreto de financiamento para as várias centenas de milhões de dólares que a reestruturação exigia nem comprador para o negócio; a MBK, que havia pedido desculpas publicamente em setembro do ano anterior, enfrentou disciplina regulatória por sua condução do investimento. Uma linha de socorro de ₩200 bilhões e um recurso mantiveram a rede viva até o fim de 2026. A aquisição alavancada precificou a Homeplus por um crescimento que ela nunca teve; o corte de rating apenas cobrou a diferença.

A cláusula converteu um declínio lento em súbito: o rebaixamento mudou o cronograma de pagamento, não o negócio, e não havia comprador nem plano de financiamento para ₩5,31 trilhões em dívida líquida.

Uma aquisição alavancada coloca a dívida da compra nos livros da empresa-alvo — a rede passou uma década pagando por ter sido comprada, enquanto a Coupang passou a mesma década tomando seus clientes.

Gatilhos de cláusulas convertem um declínio lento em súbito: o corte de rating não mudou o negócio, mudou o cronograma de pagamento.

A recuperação judicial exige um comprador ou um plano de financiamento; uma varejista com ₩5,31 trilhões em dívida líquida e vendas encolhendo não tem nenhum dos dois sob demanda, e o tribunal não os fabricará.

A alavancagem reivindica o caixa futuro, seja qual for esse caixa — se a dívida de aquisição pressupõe um crescimento que o negócio não consegue produzir, é a cláusula que decide quando chega o acerto de contas, não o mercado.

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As fontes

  1. MBK-owned Homeplus files for corporate revamp with Seoul court kedglobal.com
  2. South Korea bankruptcy court scraps Homeplus's corporate rehabilitation plan kedglobal.com
  3. Homeplus Wins 200 Billion Won Lifeline, to Appeal Rehabilitation Decision en.sedaily.com