No final de julho de 2025, usuários do TikTok descobriram que a publicidade da Guess na edição de agosto de 2025 da Vogue trazia duas modelos geradas por IA chamadas 'Vivienne' e 'Anastasia'. As modelos foram criadas pela Seraphinne Vallora, uma agência de marketing de IA sediada em Londres, cujas cofundadoras Valentina Gonzalez e Andreea Petrescu disseram que pretendiam 'coexistir' com a indústria da moda.

A reação negativa concentrou-se na substituição. A Guess construiu sua marca sobre campanhas de 'bombshell' estreladas por celebridades reais — Eva Mendes, Drew Barrymore, Claudia Schiffer. Substituí-las por modelos de IA em uma revista de moda pareceu aos críticos um erro de categoria: uma marca de beleza usando rostos que não existem para vender produtos destinados a fazer rostos reais parecerem bonitos.

A Condé Nast, controladora da Vogue, respondeu que 'uma modelo de IA nunca apareceu editorialmente na Vogue' — ou seja, as modelos de IA apareceram apenas em anúncios, não em conteúdo editorial. A psicóloga Dra. Nicole Hawkins alertou que modelos de IA perpetuam padrões de beleza irrealistas, observando que as pessoas 'idealizam essas imagens que não existem de fato'. A controvérsia somou-se a um debate mais amplo de 2025 sobre IA nas indústrias criativas, dos avatares de beleza em CGI da P&G às personas de chatbot de IA da Meta.

As modelos de IA, criadas pela Seraphinne Vallora, foram chamadas Vivienne e Anastasia, mas os críticos viram um erro de categoria: vender produtos de beleza com rostos que não existem.

A herança da marca tornou as modelos de IA uma contradição: a Guess vendia desejo por meio de corpos de celebridades reais — rostos de IA que não existem não podem modelar roupas destinadas à pele.

A veiculação amplificou o erro: a Vogue é a autoridade que confere legitimidade às modelos — comprar espaço publicitário para inserir rostos de IA na mesma revista foi uma provocação, não um atalho.

'Coexistir' foi o registro errado: o enquadramento da agência de IA presumia que a controvérsia era sobre substituição; o enquadramento do público era sobre autenticidade — os dois argumentos nunca se encontraram.

A acusação sobre padrões de beleza era estrutural: modelos de IA são projetadas para serem ótimas, o que significa que representam um rosto que nenhum humano pode alcançar — um padrão mais prejudicial do que qualquer fotografia.

Uma marca construída sobre corpos reais não pode vender por meio de rostos que não existem. Modelos de IA em uma revista de moda não economizam dinheiro — custam à marca sua razão de estar na revista.

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As fontes

  1. ABC News — 'Controversy stirs over AI-generated models in new Guess ads', 2025-07-31 abcnews.com
  2. CNN — 'Vogue AI models Guess campaign', 2025-07-31 cnn.com