Rod Levis abriu uma boutique em Sydney que vendia moda jovem da era da Beatlemania e lançou a Cue em 1968. Nos anos 1970, a marca já estava nas lojas Myer de todo o país; nos anos 1990, Claudia Schiffer estrelou sua campanha de 1997; e, em 1998, foi lançada a marca irmã Veronika Maine. As duas marcas eram grandes nomes do atacado no início dos anos 2000, vendidas pela Myer e pela David Jones, mas foram retiradas totalmente do atacado até 2008, à medida que a empresa migrava para canais de venda direta ao consumidor.

Os problemas se acumularam depois da pandemia. A ABC News relata que o trabalho remoto, as compras on-line, a concorrência de preços do exterior, a mudança para roupas casuais de trabalho e a falta de uma identidade de marca aspiracional nas redes sociais produziram uma "tempestade perfeita". Documentos protocolados na ASIC referentes ao ano fiscal de 2024 mostraram um prejuízo de A$ 14,1 milhões, seis vezes os A$ 2,3 milhões do ano anterior, com passivos superando os ativos em A$ 3,3 milhões. Justin Levis deixou o cargo de diretor executivo em 2024, e Rod Levis vendeu a Cue para a especialista britânica em recuperação de empresas Hilco Capital em abril de 2025.

A Hilco nomeou um presidente do conselho, um CEO e um diretor financeiro, mas os consumidores continuaram a reclamar de pedidos on-line não entregues, e locadores e fornecedores ficaram sem receber. O presidente do conselho renunciou em junho de 2026, e a Hilco colocou a Cue à venda em agosto; em menos de um mês, o CEO e o diretor financeiro anunciaram suas saídas e, dias depois, a Hilco nomeou administradores judiciais. A FTI Consulting afirmou que os custos operacionais estavam superando as vendas.

Prejuízo de A$ 14,1 milhões no ano fiscal de 2024 (seis vezes os A$ 2,3 milhões do ano anterior), administração judicial em setembro de 2026, cinco das 51 lojas fechadas imediatamente

O analista James Stewart disse à ABC que o principal motivo pelo qual marcas de vestuário de médio mercado fracassam é um produto que já não é percebido como bom valor para seu mercado-alvo em seus preços.

A ABC relata que as marcas não tinham uma identidade aspiracional nas redes sociais, enquanto os consumidores migravam para o on-line e para a concorrência estrangeira mais barata.

A empresa teve um prejuízo de A$ 14,1 milhões no ano fiscal de 2024, com passivos acima dos ativos, e dependia de garantias dos acionistas para continuar operando.

A Hilco comprou uma empresa em dificuldades e tentou vendê-la em 16 meses; Stewart a chamou de "um comprador de última instância tentando vender algo que não conseguiu consertar".

Uma marca tradicional pode sobreviver a uma pandemia e ainda assim fracassar se seu produto e seu preço deixarem de parecer bom valor para o cliente. Compradores especializados em recuperação consertam balanços, não relevância.

A FTI Consulting, na condição de administradora judicial, fechou cinco das 51 lojas da Cue, mantendo por enquanto a presença nas lojas de departamento. Um relatório protocolado no fim de maio mostrou um prejuízo líquido de A$ 5 milhões e alertou para dúvidas quanto à continuidade operacional. Os administradores judiciais disseram que houve bom interesse inicial de potenciais compradores, com as primeiras ofertas previstas para o início de outubro de 2026; Stewart espera que qualquer negócio reconstruído seja significativamente reduzido.

CONFIRA AS EVIDÊNCIAS

As fontes

  1. Claudia Schiffer was once the face of Cue. Now it and Veronika Maine have 'lost relevance' ABC News · abc.net.au ·