O Banesto era o terceiro maior grupo financeiro da Espanha quando Mario Conde se tornou presidente executivo em dezembro de 1987. Conde empreendeu uma expansão agressiva, adquirindo o Banco del Pacífico em 1991 e o Banco de Concepción em 1993. Ele também planejou, com o J.P. Morgan, uma emissão de direitos de US$ 1,2 bilhão e vendas de ativos que teriam tornado o Banesto a maior empresa financeira da Europa. O plano foi aceito pelo Banco da Espanha, mas apenas porque a verdadeira condição do banco estava oculta.
Conde mascarou a deterioração da carteira de empréstimos do banco canalizando os lucros das vendas de ativos para contas de reserva em vez de reportá-los como receita. Isso criou a aparência de estabilidade financeira enquanto os empréstimos ruins cresciam. Em dezembro de 1993, o governo espanhol observou aumentos acentuados na inadimplência de empréstimos. A CNMV suspendeu a negociação das ações do Banesto depois que a ação caiu 6,8% em um único dia — de 2.135 para 1.995 pesetas.
Em 28 de dezembro de 1993, o Banco da Espanha interveio. O déficit patrimonial foi provisoriamente estimado em €3,6 bilhões — cerca de US$ 7,2 bilhões na época. Conde foi removido e substituído por um conselho de outros cinco bancos. Em abril de 1994, o Banco Santander venceu o leilão do Banesto com uma oferta de 313,5 bilhões de pesetas (US$ 2 bilhões), tornando o Santander o maior grupo financeiro da Espanha. Conde foi condenado a 20 anos de prisão por fraude e cumpriu 11.
Conde escondeu empréstimos ruins desviando lucros de vendas de ativos para reservas, não para receita; o buraco de €3,6 bilhões veio à tona, o Banco da Espanha interveio no banco, e Conde recebeu 20 anos.
Conde usou lucros de vendas de ativos para cobrir empréstimos ruins em vez de reportá-los — o banco parecia saudável enquanto o buraco crescia. Esse é o truque mais antigo do setor bancário, e funcionou porque ninguém olhou.
O Banco da Espanha aceitou o plano de reestruturação de Conde com o J.P. Morgan sem verificar a verdadeira condição do banco. A intervenção veio meses depois, após o buraco ter crescido para €3,6 bilhões.
A expansão agressiva de Conde — adquirindo dois bancos em três anos — criou uma carteira grande demais para ser gerida de forma transparente. As aquisições foram financiadas com dívida que o banco não conseguia honrar.
Conde não foi apenas um fraudador do Banesto — ele também foi condenado no caso Argentia Trust, mostrando um padrão de má conduta financeira que se estendia além de um único banco.
A lição
Quando um banco canaliza lucros de vendas de ativos para reservas em vez de reportá-los, ele não está sendo prudente — está comprando tempo. A conta sempre chega, com juros.
O Banesto foi absorvido pelo Santander em 2012 — quase 20 anos após a intervenção. Conde cumpriu 11 anos de sua pena de 20 anos antes da liberdade condicional. O caso tornou-se um símbolo da fiscalização bancária frouxa da Espanha nas décadas de 1980 e 1990, quando a expansão agressiva e os truques contábeis eram tolerados desde que os números parecessem bons. A aquisição do Banesto pelo Santander o transformou no maior banco da Espanha, posição que mantém desde então. Os problemas legais de Conde continuaram após sua soltura — em 2016 ele foi preso novamente por supostas transferências fraudulentas de capital relacionadas a uma empresa de cosméticos.
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As fontes
- Wikipedia — Banesto en.wikipedia.org
- Wikipedia — Mario Conde en.wikipedia.org
- elmundo.es — 570b5ea5268e3ea11f8b458f elmundo.es
- independent.co.uk — Jp Morgan Caught Up In A Spanish Inquisition The American Vl independent.co.uk
- abc.es — Abci Mario Conde Banquero Moda Condenado 200207290300 117766 abc.es