O Yahoo era a página inicial da internet primitiva — o ponto de partida mais popular para os usuários da web no final dos anos 1990. Mas sua busca era um diretório editado por humanos e, à medida que a web explodia, ele passou a depender de outras empresas para alimentar a busca de fato. Em 1998, dois estudantes de Stanford, Larry Page e Sergey Brin, procuraram o Yahoo com uma oferta: venderiam seu mecanismo de busca incipiente, o Google, por US$ 1 milhão. O Yahoo recusou.

Quatro anos depois, o erro era visível. O Google havia se tornado o melhor mecanismo de busca da web e crescia rapidamente. Em 2002, o CEO do Yahoo, Terry Semel, abriu negociações para comprar o Google. A oferta final do Yahoo foi de cerca de US$ 3 bilhões; a liderança do Google insistiu em cerca de US$ 5 bilhões, e nenhum acordo foi fechado. A falha em adquirir o Google naquela segunda vez é amplamente considerada um dos maiores erros estratégicos da história corporativa.

O Yahoo seguiu construindo sua própria busca e comprando outras empresas, mas nunca alcançou o Google, que se tornou a força dominante em busca e publicidade online — e, por fim, uma empresa avaliada em mais de um trilhão de dólares. O próprio Yahoo declinou ao longo da década de 2010, trocando de CEOs em série, vendendo seu negócio principal à Verizon e encolhendo para uma fração do que já foi. As duas oportunidades perdidas com o Google continuam sendo o 'e se' definitivo da era da internet.

O Yahoo recusou o Google por US$ 1 milhão em 1998 e depois hesitou diante de US$ 5 bilhões em 2002, deixando que o mecanismo de busca que poderia ter comprado barato se tornasse inalcançável.

O Yahoo via a busca como um utilitário que podia licenciar de terceiros, e não como uma capacidade estratégica que valia a pena possuir.

Em 1998, não conseguiu enxergar valor em uma pequena startup de busca ainda sem receita; em 2002, hesitou diante do preço exigido pelo Google.

A identidade do Yahoo era a de um portal de mídia e diretório, então ele subestimou o quanto a busca algorítmica viria a definir a web por completo.

Cada recusa permitiu que o Google ficasse mais forte, até que a empresa que o Yahoo poderia ter comprado barato se tornasse inalcançável.

A palavra mais cara na estratégia é 'não' dirigida ao futuro. O Yahoo via a busca como uma commodity a ser terceirizada; o Google a via como a porta de entrada para tudo. Compre o que está prestes a importar, enquanto ainda é pequeno.

As chances perdidas do Yahoo com o Google são ensinadas como o exemplo canônico de um líder de mercado que falha em adquirir aquilo que o substituiria. O Google se tornou uma das empresas mais valiosas da história; o Yahoo, após anos de declínio, vendeu seu negócio operacional à Verizon em 2016 e hoje é uma entidade muito menor, controlada majoritariamente pela Apollo Global Management. A lição para as empresas incumbentes é desconfortável: a startup que hoje parece pequena e cara demais pode ser a que definirá seu setor amanhã, e 'podemos construir isso nós mesmos' raramente sai tão barato quanto comprar cedo.

CONFIRA AS EVIDÊNCIAS

As fontes

  1. Yahoo — Wikipedia (1998 and 2002 failed attempts to acquire Google) en.wikipedia.org
  2. The Economic Times — Yahoo rejected two PhD students' $1 million offer for their site (the 1998 approach to Yahoo and the 2002 acquisition talks under Terry Semel that ended without a deal) economictimes.indiatimes.com