Milena Penkowa era professora de neurociência no Instituto Panum da Universidade de Copenhague. Era considerada uma estrela em ascensão na pesquisa cerebral dinamarquesa, publicando extensivamente sobre o papel das metalotioneínas na recuperação neurológica. Aos 37 anos, era uma das professoras mais jovens da Dinamarca.
Em 2010, Penkowa foi acusada de má conduta científica depois que estudantes de pós-graduação não conseguiram replicar seus resultados. Uma investigação dos Comitês Dinamarqueses de Desonestidade Científica concluiu que ela havia fabricado dados e deixado de realizar experimentos que afirmava ter realizado. Um painel internacional concluiu que 15 artigos continham "suspeita justificada de má prática científica deliberada". Ela também foi condenada por fraude e apropriação indébita por uso indevido de verbas de pesquisa. Até 2020, 9 de seus artigos haviam sido retratados e 4 outros traziam expressões de preocupação.
A Universidade de Copenhague suspendeu Penkowa em 2010, e ela renunciou ao cargo de professora. A universidade devolveu 2 milhões de coroas dinamarquesas de uma bolsa de 5,6 milhões de coroas ao doador. Em setembro de 2017, a universidade tomou a medida extraordinária de revogar seu título de doutorado — uma sanção rara que efetivamente apagou suas credenciais acadêmicas. 58 pesquisadores dinamarqueses assinaram uma carta exigindo uma revisão aberta do caso.
Dados fabricados em 15 artigos, condenação por fraude, doutorado revogado; seguiram-se 9 retratações e 4 expressões de preocupação.
A rápida ascensão de Penkowa a professora aos 37 anos foi construída sobre um volume de publicações que ninguém verificou — o sistema recompensava a quantidade em detrimento da reprodutibilidade.
Foram os estudantes de pós-graduação que não conseguiram replicar seus resultados que detectaram a fraude, não a revisão por pares ou a supervisão das revistas — o mesmo padrão de muitos casos de fraude em pesquisa.
A universidade só investigou depois que a fraude foi publicamente exposta, e o painel internacional levou dois anos para revisar 15 artigos — a resposta institucional lenta permitiu que o dano se espalhasse.
A lição
Um pesquisador cujo trabalho não pode ser replicado por seus próprios estudantes de pós-graduação é um passivo que o sistema deveria detectar antes da publicação dos artigos, e não anos depois.
O caso Penkowa tornou-se um marco na integridade da pesquisa dinamarquesa. A revogação de seu título de doutorado foi uma das primeiras ações desse tipo no meio acadêmico europeu. O caso também evidenciou a vulnerabilidade da pesquisa em neurociência à fabricação e o ônus imposto aos pesquisadores juniores para expor má conduta de seus superiores.
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