Em entrevista ao The Verge publicada em 28 de julho de 2022, o chefe do Instagram, Adam Mosseri, disse que o aplicativo descontinuaria gradualmente uma versão de teste que abria fotos e vídeos em tela cheia e reduziria temporariamente o número de posts recomendados, após uma semana de críticas crescentes às suas mudanças no estilo TikTok. "Para os novos designs do feed, as pessoas estão frustradas e os dados de uso não são bons", disse ele. "Precisamos dar um grande passo atrás, nos reorganizar e descobrir como queremos avançar."

Mosseri lembrou que gravou seu vídeo de explicação na noite anterior a publicá-lo, ironicamente enquanto o meme "Make Instagram Instagram again" — repostado por Kylie Jenner e Kim Kardashian — crescia no próprio Instagram. Ele disse que a raiva pública havia confundido quatro coisas distintas: o teste em tela cheia, o crescimento de longo prazo do vídeo, os posts recomendados e o alcance decrescente dos criadores. Na entrevista, ele enquadrou o recuo como assumir riscos: "Fico feliz por termos assumido um risco — se não falhamos de vez em quando, não estamos pensando grande o suficiente."

O recuo explicitamente não era permanente. Mosseri disse que o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, havia colocado o conteúdo recomendado em cerca de 15% dos feeds do Facebook e em uma proporção ainda maior no Instagram, caminhando para cerca de 30% até o final de 2023, e que o Instagram voltaria "com algum tipo de nova ideia ou iteração" assim que a classificação melhorasse. Ele apontou o crescimento de 30% no tempo de visualização dos Reels no trimestre anterior (autodeclarado na entrevista, citando a teleconferência de resultados de Zuckerberg) como evidência de que a mudança para o vídeo era real.

O teste em tela cheia foi descontinuado gradualmente em poucas semanas e os posts recomendados foram temporariamente reduzidos; Mosseri admitiu que "os dados de uso não são bons"

O Instagram impôs um design em tela cheia e com prioridade para vídeo a um grupo de teste de usuários para competir com o TikTok, e uma parcela vocal deles o detestou intensamente.

A reação negativa foi respaldada pelos próprios dados internos de uso do Instagram, que Mosseri admitiu que "não são bons" para os novos designs do feed.

Criadores celebridades cujos negócios dependem do feed — entre eles as Kardashians — amplificaram a revolta para audiências de centenas de milhões.

Quatro mudanças distintas (design, vídeo, recomendações, alcance) colapsaram em uma única narrativa de "o Instagram não é mais o Instagram" que a empresa teve de desembaraçar.

Perseguir um rival pode ultrapassar o que os usuários aceitam: quando seus próprios dados de uso confirmam as reclamações, recuar rápido e explicar o motivo custa menos do que defender um redesign impopular.

Mosseri deixou claro que o recuo era temporário: o Instagram melhoraria a classificação e a personalização antes de voltar a aumentar as recomendações. Na mesma semana, a Meta reportou sua primeira queda trimestral de receita, com o TikTok como o aplicativo mais baixado do mundo e a Transparência de Rastreamento de Aplicativos da Apple tendo aberto o que a entrevista descreve como um buraco de 10 bilhões de dólares no negócio de anúncios da Meta.

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As fontes

  1. Instagram is walking back its changes for now — Adam Mosseri explains why The Verge · theverge.com ·