Os motores Theta II da Hyundai e da Kia, usados em milhões de modelos Sonata, Santa Fe, Optima e Sorento, tinham um defeito de fabricação: lascas de metal deixadas durante a usinagem podiam restringir o fluxo de óleo para os rolamentos da biela. Os rolamentos se desgastavam, o motor travava ou apagava e, em alguns casos, o compartimento do motor pegava fogo.
A investigação da NHTSA concluiu que ambas as empresas sabiam do padrão do defeito antes de reportá-lo e que seus recalls vieram tarde. Em novembro de 2020, as duas empresas concordaram com uma penalidade civil combinada de US$ 210 milhões — US$ 137 milhões para a Hyundai e US$ 73 milhões para a Kia —, a maior penalidade da NHTSA na época por violações relacionadas a recalls.
O acordo abrangeu cerca de 3,3 milhões de veículos nos Estados Unidos. Além da multa, a Hyundai e a Kia foram obrigadas a reforçar seus processos de comunicação de segurança e a se submeter a monitoramento independente de suas decisões sobre recalls.
Pagaram US$ 210 milhões, a maior penalidade da NHTSA na época, por atrasar recalls de 3,3 milhões de veículos, e tiveram de reforçar a comunicação e aceitar monitoramento independente.
Reportar um defeito à NHTSA dispara um recall, e um recall custa dinheiro — o incentivo para atrasar é intrínseco ao processo.
O defeito era intermitente e difícil de reproduzir, o que deu às empresas margem para argumentar que não se tratava de uma tendência de segurança.
Duas empresas compartilhando um mesmo projeto de motor significava que nenhuma assumiu o problema primeiro.
A lição
Um defeito compartilhado entre duas empresas não tem dono — designe um, ou o atraso na comunicação vira uma negociação em vez de uma decisão.
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