O Grupo Petrópolis, antiga Cervejaria Petrópolis, foi fundado na década de 1990 em Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, e cresceu até se tornar a terceira maior cervejaria do Brasil em volume, atrás de AmBev e Heineken. Era dono de marcas populares de cerveja, incluindo Itaipava, Crystal, Lokal e Black Princess, e operava oito fábricas em todo o Brasil.

A empresa expandiu-se agressivamente na década de 2010, endividando-se pesadamente para construir capacidade e adquirir concorrentes. Quando o banco central do Brasil elevou a taxa Selic básica para 13,75% ao ano para combater a inflação, o custo de servir a dívida da empresa tornou-se insustentável. A cervejaria reportou despesas anuais com juros de R$ 395 milhões contra receita em declínio.

Em 27 de março de 2023, o Grupo Petrópolis entrou com pedido de recuperação judicial, equivalente brasileiro à proteção contra falência do Capítulo 11, em um tribunal do Rio de Janeiro. O pedido divulgou dívidas totais de R$ 4,4 bilhões (aproximadamente US$ 880 milhões na época). A empresa declarou que apenas 40% de suas oito fábricas operavam em capacidade normal, refletindo a perda mais ampla de participação de mercado para AmBev e Heineken.

O tribunal aceitou o pedido e o processo foi mantido em sigilo. A empresa continuou operando durante o processo de recuperação, que visava reestruturar suas dívidas e retornar à saúde financeira. O caso tornou-se um dos maiores pedidos de recuperação judicial do setor de bens de consumo do Brasil.

O Grupo Petrópolis entrou com pedido de recuperação judicial com R$ 4,4 bilhões em dívidas depois que a taxa Selic do Brasil subiu para 13,75%, tornando sua dívida impagável.

A empresa endividou-se pesadamente durante os anos de juros baixos no Brasil para construir capacidade, depois a taxa Selic do Brasil subiu para 13,75%, tornando a dívida de R$ 4,4 bilhões impagável

Apenas 40% das oito fábricas da empresa operavam em capacidade normal, o que significa que a expansão havia construído muito mais capacidade de produção de cerveja do que o mercado demandava

AmBev e Heineken pressionaram de ambos os lados — a AmBev dominando o segmento popular e a Heineken o premium importado, deixando a Petrópolis sem volume nem margem

As marcas da empresa (Itaipava, Crystal) eram posicionadas como alternativas de menor custo e não conseguiam aumentar os preços o suficiente para cobrir os custos da dívida sem perder volume para os concorrentes

O Grupo Petrópolis endividou-se para construir capacidade quando as taxas estavam baixas, depois a Selic do Brasil atingiu 13,75% e 60% da capacidade das fábricas ficou ociosa. O excesso de alavancagem é uma aposta em juros baixos — e a cervejaria perdeu.

CONFIRA AS EVIDÊNCIAS

As fontes

  1. Portuguese Wikipedia — Grupo Petrópolis (judicial recovery filing March 27, 2023, R$4.4 billion debt, 40% factory capacity, 13.75% Selic rate) pt.wikipedia.org
  2. CNN Brasil — Grupo Petrópolis pede recuperação judicial e atribui dificuldade a juros altos cnnbrasil.com.br