A Antonio Bernardo, fundada no Rio de Janeiro em 1981 pelo designer autodidata de mesmo nome, construiu uma reputação de joias de luxo esculturais que combinavam artesanato com processos industriais. A marca cresceu para oito lojas em sete cidades brasileiras e vendia internacionalmente em Antuérpia, Tóquio e Hong Kong.
As vendas da empresa enfraqueceram após a recessão brasileira de 2014 e nunca se recuperaram totalmente. A pandemia prejudicou ainda mais a receita, enquanto a alta do preço do ouro — principal matéria-prima da marca — comprimiu as margens. O aumento do custo da dívida agravou a pressão, deixando o resultado líquido da empresa no vermelho.
Em fevereiro de 2025, a Antonio Bernardo entrou com pedido de recuperação judicial no Rio de Janeiro por meio das empresas HB Adornos e Arany Adornos, que cuidam da fabricação e distribuição. O pedido listou R$ 15,83 milhões em dívidas, devidas principalmente a bancos, incluindo Itaú e Caixa. A receita anual da empresa era de R$ 24 milhões. As lojas de São Paulo e de outras cidades não foram incluídas no pedido.
Pedido de recuperação judicial com R$ 15,83 milhões em dívidas, principalmente com bancos, após uma década de vendas fracas e alta dos custos do ouro deixar a empresa sem reservas para absorver o choque.
Uma marca de luxo cujo principal insumo é o ouro não tem proteção contra a alta do preço da commodity, e uma década de vendas fracas não deixou reservas para absorver o choque.
A recessão de 2014 e a pandemia foram separadas por seis anos, mas atingiram a mesma pequena rede de lojas, e a marca nunca reconstruiu sua receita anterior à recessão.
Com apenas oito lojas e uma identidade artística de nicho, a marca não tinha escala para renegociar as condições da dívida ou migrar para canais de maior volume.
A lição
Uma marca de luxo construída sobre um único metal precioso está exposta ao risco de commodity em cada unidade vendida — proteja-se contra o risco do insumo ou diversifique o material antes que o ciclo vire.
O pedido de recuperação judicial foi descrito como preventivo; nenhum vencimento de dívida estava pendente na época. A marca continuou operando suas lojas fora do pedido. As peças de Antonio Bernardo permaneceram disponíveis internacionalmente por meio de joalherias parceiras.
CONFIRA AS EVIDÊNCIAS
As fontes
- Acelera Varejo: Crise da Joalheria Antonio Bernardo — Entenda a Recuperação Judicial aceleravarejo.com.br
- Pipeline Valor: A crise da joalheria Antonio Bernardo pipelinevalor.globo.com