Uma investigação da KFF Health News, republicada pela Fortune em 24 de junho de 2024, examinou os sistemas de elegibilidade do Medicaid que a Deloitte constrói ou opera para 25 estados que cobrem 53 milhões de beneficiários, sob contratos no valor de pelo menos US$ 5 bilhões. A investigação encontrou avisos incorretos, documentação enviada para endereços errados e sistemas congelados por horas, com base em conclusões de auditorias estaduais, documentos judiciais e entrevistas em nove estados, incluindo Arkansas, Colorado, Geórgia, Kentucky, Rhode Island, Tennessee e Texas. As correções podem levar meses.

No Tennessee, um sistema construído pela Deloitte foi lançado em 2019. A autora DiJuana Davis perdeu a cobertura familiar por quase dois meses depois que o sistema preencheu automaticamente um endereço onde ela nunca morou. Uma autoridade estadual afirmou em um documento judicial que tanto ela quanto a Deloitte cometeram erros no "processo de conversão", incluindo a fusão de sua família com outra. Anteriormente, o sistema de Kentucky de 2016 enviou pelo menos 25.000 cartas errôneas sobre benefícios perdidos e deixou um acúmulo de 50.000 casos, e cerca de 600 defeitos foram encontrados em dois meses.

Em Rhode Island, uma implantação em setembro de 2016 atrasou dezenas de milhares de pagamentos de benefícios; uma auditoria estadual de 2017 afirmou que a Deloitte "entregou um sistema de TI que não funciona efetivamente", e a principal autoridade de serviços humanos do estado renunciou. Uma auditoria do Colorado em setembro de 2020 constatou que 67% dos avisos amostrados continham erros. A Deloitte afirma que os sistemas pertencem aos estados, que determinam como eles operam, e classificou como "sem mérito" uma denúncia apresentada à FTC em janeiro de 2024 pelo National Health Law Program.

Os contratos estaduais da Deloitte somam pelo menos US$ 5 bilhões em 25 estados; o dano recaiu sobre os beneficiários que perderam a cobertura, enquanto as agências estaduais, e não a Deloitte, foram processadas.

A conversão de dados de sistemas legados era propensa a erros: o próprio documento do Tennessee citou erros de design e uma fusão de duas famílias durante a conversão.

A Deloitte promoveu a automação "sem toque", mas os assistentes sociais e defensores disseram que os sistemas precisavam de soluções manuais e deixavam os beneficiários presos.

A auditoria de Rhode Island afirmou que a Deloitte não utilizou suficientemente sua experiência de outros estados, de modo que os mesmos padrões de falha se repetiram.

A responsabilidade era difusa: os estados são donos dos sistemas e redigem as regras de política, então os erros surgiram em ações judiciais contra os estados, e não contra a fornecedora.

Quando o mesmo fornecedor repete os mesmos erros de migração e de avisos em estado após estado, o problema é o método de entrega, e não a má sorte de cada estado. As alegações de experiência do fornecedor precisam ser verificadas.

O National Health Law Program pediu à FTC em janeiro de 2024 que investigasse a Deloitte; a FTC confirmou o recebimento, mas não comentou. A ação coletiva do Tennessee, que não nomeia a Deloitte, buscava a restauração da cobertura para pessoas excluídas indevidamente. Rhode Island resolveu duas ações coletivas sem admitir irregularidades, e Deborah Sills, da Deloitte, pediu desculpas em uma audiência em 2018. A própria avaliação da Geórgia em 2024 afirmou que seu sistema da Deloitte carecia de flexibilidade, e a investigação observou que esses erros persistiram enquanto os estados revisavam milhões de beneficiários do Medicaid após o fim das proteções da pandemia.

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As fontes

  1. Deloitte software blamed for wrongly kicking patients off Medicaid Fortune (KFF Health News) · fortune.com ·