Toda empresa que fabrica um produto avançado demais para o seu mercado — um telefone com recursos que ninguém quer, um carro com tecnologia que ninguém entende — enfrenta a questão do Citroën DS: o produto está à frente do seu tempo, ou o mercado não está pronto para ele?

O Citroën DS, lançado no Salão do Automóvel de Paris de 1955, era diferente de qualquer carro que o mundo já tinha visto. Tinha suspensão hidropneumática (nivelamento automático, altura de rodagem ajustável), câmbio semiautomático, direção assistida e carroceria projetada por Flaminio Bertoni, um engenheiro aeronáutico. O coeficiente de arrasto do carro era 0,38 — menor que o da maioria dos carros fabricados nos anos 1980.

O DS estava 20 anos à frente do seu tempo. A suspensão hidropneumática não foi igualada por nenhum outro fabricante até os anos 1970. O câmbio semiautomático não era comum até os anos 1990. A carroceria aerodinâmica não era padrão até os anos 1980. O carro era uma obra-prima técnica.

Mas a Citroën não conseguia fabricar o suficiente. O DS era complexo de fabricar, e as fábricas da Citroën não foram projetadas para a produção do carro. A empresa perdia dinheiro em cada DS que vendia. O DS foi substituído pelo CX em 1974, e a Citroën foi adquirida pela Peugeot em 1976. O setor automotivo francês conta a história como o caso definitivo de um produto avançado demais para a empresa que o fabricou.

A Citroën perdia dinheiro em cada DS vendido, e a empresa foi adquirida pela Peugeot em 1976.

O DS foi projetado por engenheiros, não por contadores: a suspensão hidropneumática, o câmbio semiautomático e a carroceria aerodinâmica eram todos feitos técnicos que agregavam custo e complexidade

As fábricas da Citroën não foram projetadas para a produção do DS. O carro era complexo de fabricar, e a empresa perdia dinheiro em cada unidade. O DS foi um sucesso técnico e um fracasso comercial

O DS estava 20 anos à frente do seu tempo, mas o mercado não estava pronto para ele. Os recursos do carro não eram valorizados pelos compradores nos anos 1950 e 1960, que queriam confiabilidade e simplicidade

Um produto avançado demais para o seu mercado é um sucesso técnico e um fracasso comercial. O DS estava 20 anos à frente do seu tempo, mas o mercado não estava pronto. A questão é se o mercado está pronto.

O Citroën DS é hoje um dos carros mais colecionáveis do século XX; exemplares em bom estado são vendidos por € 50.000–€ 150.000. A suspensão hidropneumática do carro foi usada pela Citroën até 2017. O DS é citado na história do design como o caso definitivo de um produto avançado demais para o seu tempo.

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As fontes

  1. Citroën DS — Wikipedia en.wikipedia.org
  2. Motoring Research — History of the Citroën DS motoringresearch.com