A Bombardier, empresa canadense dos setores aeroespacial e ferroviário, lançou o CSeries em 2008 — um jato totalmente novo, de 100 a 150 assentos, projetado para competir com as famílias Boeing 737 e Airbus A320. O CSeries era tecnicamente brilhante: materiais avançados, motores turbofan com engrenagens e eficiência de combustível 20% superior à dos concorrentes.
Os custos de desenvolvimento dispararam de US$ 3,4 bilhões para mais de US$ 6 bilhões. O programa estava três anos atrasado. A dívida da Bombardier disparou, e a empresa chegou perto da falência. Em 2015, o governo de Quebec investiu US$ 1 bilhão para manter o programa vivo. A Boeing apresentou uma queixa comercial alegando subsídios ilegais, e o Departamento de Comércio dos EUA inicialmente impôs uma tarifa de 300% sobre as importações do CSeries.
Em outubro de 2017, a Bombardier vendeu uma participação majoritária de 50,01% no CSeries à Airbus por US$ 1. O envolvimento da Airbus neutralizou a ameaça tarifária dos EUA (o avião seria montado no Alabama). Em julho de 2018, o CSeries foi renomeado Airbus A220. A Bombardier, que havia gastado US$ 6 bilhões e quase morrido construindo o avião, recebeu US$ 1 por sua participação majoritária. O avião era excelente; o caso de negócios não era.
Vendeu uma participação majoritária de 50,01% à Airbus por US$ 1, o que neutralizou a tarifa ao montar no Alabama e o renomeou como A220.
O custo de desenvolvimento de US$ 6 bilhões era grande demais para uma empresa com o balanço da Bombardier; o programa consumiu todos os recursos da companhia.
O atraso de três anos fez o CSeries entrar no mercado depois que Boeing e Airbus já haviam lançado seus concorrentes remotorizados (737 MAX, A320neo).
A queixa comercial da Boeing e a ameaça de tarifa de 300% tornaram o CSeries invendável no mercado dos EUA sem um parceiro — a Airbus era o único comprador viável.
Vender 50,01% por US$ 1 não foi uma negociação — foi um resgate. A Bombardier não tinha alternativa que não envolvesse falência.
A lição
Um produto brilhante ainda pode destruir seu criador. O CSeries era o melhor avião de sua categoria, e quase levou a Bombardier à falência. Você construiu o produto do seu concorrente.
O Airbus A220 é hoje um dos aviões mais vendidos de sua categoria, com mais de 300 pedidos. A Bombardier saiu completamente da aviação comercial, vendendo seu programa CRJ à Mitsubishi e seu Dash 8 à Viking Air. A empresa agora se concentra em jatos executivos (Global e Challenger) e no setor ferroviário. O CSeries/A220 é citado como o exemplo definitivo de um ótimo produto com um caso de negócios fatal.
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As fontes
- Airbus A220 — Wikipedia (originally Bombardier CSeries; launched 2008; $6B+ development cost; 3 years late; Quebec $1B bailout 2015; Boeing trade complaint; 50.01% sold to Airbus for $1 in 2018; renamed A220) en.wikipedia.org
- CBC News — Bombardier exits the commercial plane business, sells remaining A220 stake to Airbus (2020; confirms $1 controlling stake sale in 2018; Airbus paid $591M for remaining stake; Quebec $1.3B investment; Bombardier exits commercial aviation) cbc.ca