Bharat Aggarwal era um bioquímico indiano-americano que passou 26 anos na Universidade do Texas, no MD Anderson Cancer Center, onde era professor e liderava pesquisas sobre citocinas, inflamação e as propriedades anticancerígenas da curcumina. Ele era um dos pesquisadores mais citados em sua área, publicando em revistas de alto impacto e trazendo receita substancial de subsídios para a instituição. Seu trabalho era considerado fundamental para entender como compostos naturais poderiam combater o câncer.
Em 2012, o Office of Research Integrity dos EUA notificou o MD Anderson sobre denúncias de delatores de que Aggarwal havia fabricado ou manipulado dados em até 65 de seus artigos publicados. A fraude envolvia imagens reutilizadas e alteradas apresentadas como resultados de experimentos diferentes — bandas em gel blots copiadas de uma figura para outra, imagens giradas e renomeadas para representar resultados diferentes. O MD Anderson iniciou uma revisão interna que confirmou as denúncias.
As retratações vieram em ondas: 7 artigos na Biochemical Pharmacology em fevereiro de 2016, 2 na Molecular Pharmacology em junho de 2016, 9 em revistas da AACR em setembro de 2018. Até 2023, 30 artigos haviam sido retratados, mais 10 receberam expressões de preocupação e 17 foram corrigidos. Aggarwal se aposentou do MD Anderson em 31 de dezembro de 2015 e foi permanentemente impedido de receber financiamento federal para pesquisa. Ele ameaçou ação judicial contra o Retraction Watch em 2013, mas nunca levou adiante.
O MD Anderson esperou a notificação federal, depois retratou 30 artigos ao longo de uma década, forçando a aposentadoria e impedindo Aggarwal de receber financiamento federal.
Aggarwal era um pesquisador estrela que trazia prestígio e subsídios — o MD Anderson tinha todo o incentivo para minimizar os danos em vez de investigar agressivamente.
A fraude foi descoberta por delatores, não pela própria supervisão da instituição — o MD Anderson não agiu até que o governo federal o notificou.
O processo de retratação levou mais de uma década — as primeiras retratações vieram em 2016, mas novas ainda apareciam em 2023, o que significa que a literatura ficou contaminada por anos.
Aggarwal ameaçou seus críticos em vez de enfrentar as evidências — a ameaça legal ao Retraction Watch foi uma tentativa de silenciar a divulgação de sua má conduta.
A lição
Quando um pesquisador estrela traz subsídios, a instituição faz vista grossa. O MD Anderson foi notificado da fraude em 2012, mas Aggarwal se aposentou em 2015 — as retratações continuaram chegando por uma década.
O caso Aggarwal foi um dos maiores casos de fraude em pesquisa na biologia do câncer. Ele evidenciou como as instituições protegem seus pesquisadores estrela, mesmo quando investigadores federais já identificaram problemas. A longa cauda de retratações — ainda aparecendo anos após sua aposentadoria — significou que outros pesquisadores se basearam em dados falsificados por anos antes que o registro fosse corrigido. A reputação do MD Anderson foi danificada, e o caso se tornou um exemplo clássico do problema do 'grande demais para falir' na pesquisa acadêmica, em que as instituições priorizam a receita de subsídios em detrimento da integridade científica.
CONFIRA AS EVIDÊNCIAS
As fontes
- Frankincense extract paper is 30th retracted by former MD Anderson researcher — Retraction Watch, Oct 3 2022 retractionwatch.com
- Wikipedia — Bharat B. Aggarwal en.wikipedia.org