Em novembro de 2021, a Winity Telecom — operadora brasileira controlada pela gestora de private equity Pátria — arrematou o lote A1 do leilão 5G brasileiro, pagando R$ 1,4 bilhão (cerca de US$ 250 milhões à época) pela licença nacional de 700 MHz. O lance vencedor, superior aos da Highline (R$ 333 milhões) e da Datora Telecom (R$ 318 milhões), vinha com contrapartidas: o compromisso de conectar 625 localidades e 35.784 km de rodovias federais com 4G ou melhor, sendo 40% das localidades e 10% das rodovias até dezembro de 2023.

O plano comercial desmoronou — a BNamericas noticiou que as faixas foram devolvidas após o acordo comercial da Winity com a Telefônica fracassar — e, em dezembro de 2023, mês do prazo, a Winity pediu a renúncia à licença sem cumprir todas as suas metas. A Anatel declarou a licença extinta e, para evitar que o espectro ficasse ocioso, liberou a faixa para uso secundário temporário enquanto avalia sanções e prepara uma destinação primária, possivelmente em um novo leilão em 2025. Provedores de internet, incluindo os detentores regionais de 3,5 GHz Brisanet, Unifique, iez! e Ligga, manifestaram interesse em ambas.

O conselho da Anatel deu prioridade para a destinação primária da faixa à Highline, controlada pela DigitalBridge, e à Datora — as proponentes derrotadas no lote A1 — antes de recorrer a um novo processo licitatório, com os prazos de cobertura de rodovias a serem redefinidos para quem assumir. O presidente da agência, Carlos Baigorri, classificou o arranjo interino como a opção mais razoável diante do peso de política pública da conectividade rodoviária. A aposta de R$ 1,4 bilhão da Winity, precificada em mais de quatro vezes as ofertas das concorrentes, terminou com o espectro de volta às mãos do Estado e uma decisão sobre sanções pendente.

Uma licença de R$ 1,4 bilhão (cerca de US$ 250 milhões à época) entregue; a Anatel declarou-a extinta e avalia sanções; rodovias e cidades ficaram sem conexão.

A Winity precificou seu lance de 2021 em mais de quatro vezes o das proponentes derrotadas (R$ 1,4 bilhão contra R$ 333 milhões e R$ 318 milhões), apostando que um acordo comercial com a Telefônica tornaria viável a economia da cobertura.

O plano tinha um único ponto de falha: quando o arranjo com a Telefônica fracassou, nem a implantação da rede nem as obrigações de cobertura social tinham caminho de financiamento.

As obrigações eram contratuais, não aspiracionais — 625 localidades e 35.784 km de rodovias no prazo de uma agência reguladora — e perder o marco de dezembro de 2023 deixou a renúncia como a opção menos ruim.

Devolver a licença significou abrir mão do ativo de forma definitiva e ainda deixou a empresa exposta a sanções da Anatel, enquanto o espectro foi emprestado a concorrentes em poucos dias.

Leilões de espectro são contratos de opção, não troféus: dar lance acima dos R$ 333 milhões e R$ 318 milhões dos concorrentes por obrigações que você não consegue cumprir transforma uma licença em um passivo que a agência reguladora simplesmente retoma.

A Anatel declarou extinta a licença da Winity e liberou a faixa de 700 MHz em caráter secundário temporário, semelhante a um empréstimo, com preferência para provedores de internet e empresas detentoras de licenças regionais de 3,5 GHz; a Hughes, que tinha um acordo com a Winity, já estava autorizada a usar porções da faixa. Highline e Datora tiveram a primeira opção de uso primário; se nenhuma aceitar ou cumprir as condições, a frequência vai a leilão, com os prazos de cobertura de rodovias a serem alterados para os novos detentores. A avaliação de possíveis sanções contra a Winity permanecia em aberto em fevereiro de 2024.

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As fontes

  1. What fate awaits Winity's returned 700MHz spectrum? BNamericas · bnamericas.com ·