A Veeko International, varejista de moda feminina de Hong Kong fundada em 1984 e listada em 1999, lançou sua rede de cosméticos Colourmix em 2004. A Colourmix vendia produtos importados de skincare, maquiagem e perfumaria em lojas de rua em distritos turísticos, surfando o boom de visitantes da China continental. No ano encerrado em março de 2016, a receita do grupo atingiu o pico de HK$ 2,23 bilhões — 77% provenientes de cosméticos — em 222 lojas em Hong Kong, Macau, Taiwan, Singapura e China continental.

O fluxo virou. As chegadas da China continental e o gasto por visitante caíram a partir de 2016, e a receita já havia caído para HK$ 1,69 bilhão em 2019. O varejo de moda em Taiwan praticamente cessou em março de 2016; a operação em Singapura desapareceu até 2020; a COVID então cortou a receita em 38%, para HK$ 1,04 bilhão, com prejuízo de HK$ 258 milhões; e o varejo na China continental foi abandonado no ano encerrado em março de 2023.

A reabertura trouxe um ano bom — a receita subiu para HK$ 586,7 milhões no exercício de 2024 —, seguido de prejuízos de HK$ 124,8 milhões e HK$ 105,5 milhões à medida que as compras em direção ao norte e o gasto turístico mais fraco substituíram o antigo fluxo. Em março de 2026, a Veeko operava 89 lojas (46 de cosméticos, 43 de moda), todas em Hong Kong e Macau, com receita de HK$ 420,7 milhões, queda de 81% em relação ao pico. O patrimônio dos acionistas havia caído para HK$ 18,9 milhões contra HK$ 192,5 milhões em empréstimos bancários à vista, o auditor sinalizou incerteza material quanto à continuidade operacional, e 52 dos 89 contratos de locação vencem até março de 2027.

Manteve a rede de lojas como estratégia, não como lucro; quando o fluxo turístico encolheu, 52 contratos de locação ainda iam até 2027 e dois prejuízos eliminaram 91% do patrimônio dos acionistas.

O modelo vendia cosméticos importados a turistas da China continental em lojas de rua com aluguéis altos; quando esse fluxo encolheu a partir de 2016, nada o substituiu.

A expansão multimercado — Taiwan, Singapura, China continental — durou anos antes de cada mercado ser encerrado com prejuízo; a rede era a estratégia, não o lucro.

Após a reabertura, a Veeko apostou na recuperação do turismo. A receita do exercício de 2024 saltou 24%, e então dois prejuízos consecutivos eliminaram 91% do patrimônio dos acionistas em dois anos.

Compromissos de aluguel e imóveis sobreviveram à demanda: 52 dos 89 contratos de locação vão até março de 2027, e uma perda de valor justo de HK$ 42 milhões em imóveis para investimento atingiu o exercício de 2026.

Construída sobre um único fluxo de clientes, uma rede de lojas continua custando dinheiro muito depois de o fluxo parar. A Veeko cresceu para cinco mercados com o gasto turístico, depois fechou cada um, e descobriu que seus clientes haviam sumido.

A Veeko International continua listada e ainda opera, mas como uma sombra do que foi: 89 lojas em Hong Kong e Macau, nenhum dividendo desde o início dos prejuízos, e patrimônio de HK$ 18,9 milhões contra empréstimos à vista de HK$ 192,5 milhões. Vendeu os andares de sua fábrica em Shantou em fevereiro de 2026 por dinheiro à vista. O auditor sinalizou incerteza material quanto à continuidade operacional e, com 52 dos 89 contratos de locação vencendo até março de 2027, os próximos dois ciclos de locação decidirão se o grupo sobrevive.

CONFIRA AS EVIDÊNCIAS

As fontes

  1. Veeko International FY2016 annual report — peak-year revenue and store counts doc.irasia.com
  2. Veeko International FY2020 annual report — COVID crash, Singapore and China store counts doc.irasia.com
  3. Veeko International FY2023 annual report — exit from mainland China retail doc.irasia.com
  4. Veeko International FY2026 annual report — going-concern state, leases, borrowings doc.irasia.com
  5. TVB News — 威高國際年度虧損按年收窄一成半 蝕超過1億元 (2026-06-27) news.tvb.com
  6. stockfisher.com.hk — 威高國際 (01173) 全年虧損收窄至1.06億港元 仍不派息 stockfisher.com.hk