Em fevereiro de 2021, a presidente-executiva do NatWest Group, Alison Rose, anunciou o encerramento gradual da operação do Ulster Bank na República da Irlanda — o fim, após mais de 175 anos, de um banco fundado por empresários de Belfast em 1836, cuja sede no George's Quay era um dos edifícios mais reconhecíveis do distrito financeiro de Dublin. O veredito da BBC: na última década, a operação na República tinha sido uma "dor de cabeça cara" para sua controladora britânica.
O dano remontava à bolha imobiliária de meados dos anos 2000, quando o Ulster Bank foi "um participante entusiasmado" sob o comando do presidente-executivo do RBS, Fred Goodwin, cuja ambiciosa expansão só não terminou com a controladora na insolvência porque os contribuintes britânicos a salvaram. Em 2003, o Ulster Bank se tornou o primeiro banco irlandês a oferecer hipotecas com LTV de 100% a compradores de imóveis; também concedeu empréstimos enormes a incorporadoras imobiliárias, inclusive como principal credor da malfadada compra de hotéis em Dublin por 375 milhões de euros feita por Sean Dunne em 2005.
Quando a bolha estourou, o Ulster Bank sofreu perdas de vários bilhões de euros e precisou ser resgatado em cerca de £15 bilhões pelo RBS — à época, majoritariamente estatal britânico. O RBS começou a reverter a expansão internacional de Goodwin em 2014 e, em 2015, separou formalmente as operações da Irlanda do Norte e da República, tornando a unidade da República mais fácil de fechar, vender ou fundir. O encerramento seguiu os passos de Lloyds, Danske e Rabobank na saída do mercado irlandês.
Perdas imobiliárias de vários bilhões de euros e um resgate de £15 bilhões da controladora RBS antes do encerramento gradual em 2021
O Ulster Bank buscou participação de mercado na era da bolha com hipotecas de LTV de 100%, sendo o primeiro banco irlandês a oferecê-las, a partir de 2003.
O crédito concentrado em incorporadoras — incluindo um empreendimento hoteleiro de 375 milhões de euros — deixou a carteira exposta quando o mercado imobiliário desabou.
A estratégia de crescimento da era Goodwin colocou a expansão no mercado imobiliário irlandês à frente da solidez do banco.
As perdas nunca sararam: uma década após o colapso, o negócio na República ainda não havia se recuperado, deixando a saída como único plano.
A lição
Apostas em participação de mercado feitas no auge de uma bolha sobrevivem ao mercado: o banco que liderou com LTV de 100% deixou o país em duas décadas.
Os remanescentes se tornaram uma operação exclusiva da Irlanda do Norte, subordinada à divisão britânica do NatWest — "não tão diferente de onde estava no século XIX", observou a BBC. O Lloyds havia efetivamente encerrado sua operação irlandesa, o Bank of Scotland Ireland, em 2010; Danske e Rabobank também baixaram as portas na República.
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As fontes
- Ulster Bank in Ireland an 'expensive headache' BBC News · bbc.com ·