O CEO David Crane queria que a NRG deixasse de ser uma geradora sem rosto e se tornasse uma marca de energia voltada ao consumidor como a Apple ou a Amazon: energia no varejo mais solar residencial, recarga de veículos elétricos (eVgo), energia portátil (Goal Zero) e serviços residenciais sob uma divisão NRG Home. A NRG Home Solar comprou seu caminho até o top cinco dos instaladores residenciais dos EUA quase da noite para o dia, e Crane promovia o futuro verde a funcionários e analistas a cada oportunidade.

Então os preços do gás natural despencaram, minando o lucro da frota de geração do Texas que produzia quase todo o caixa da NRG. A ação caiu da máxima de US$ 37 em meados de 2014 para US$ 18 em setembro de 2015, o pior desempenho do índice S&P 500 Utilities. Em seu Formulário 10-K do exercício de 2015, a NRG baixou US$ 1,5 bilhão de ágio: US$ 1,4 bilhão na unidade NRG Texas, cujo valor justo ficou 76% abaixo do valor contábil sobre os US$ 1,7 bilhão de ágio registrados pela aquisição da Texas Genco em 2006, mais US$ 125 milhões na NRG Home Solar e US$ 36 milhões na Goal Zero. O prejuízo líquido atribuível à NRG foi de US$ 386 milhões.

Investidores que queriam exposição a fósseis podiam comprar a Dynegy, e os que queriam verde podiam comprar a SolarCity, como o próprio Crane escreveu depois — eles não queriam as duas coisas misturadas em um único balanço. Em 3 de dezembro de 2015, o conselho aceitou a renúncia de Crane e a ação subiu 6%. Seu sucessor, Mauricio Gutierrez, anunciou a saída do solar residencial e da recarga de veículos elétricos em poucos meses.

Baixas contábeis de ágio de US$ 1,5 bilhão no exercício de 2015 (US$ 1,4 bilhão Texas/Texas Genco, US$ 125 milhões Home Solar, US$ 36 milhões Goal Zero) e um prejuízo líquido anual de US$ 386 milhões.

A virada pressupunha tolerância permanente dos investidores a uma identidade híbrida, mas o colapso do negócio principal removeu a cobertura de lucros da qual o experimento dependia.

O solar residencial é um mercado de conquista de participação, de baixa margem e movido por uma missão, que não se comportava em nada como os fluxos de caixa de estilo regulado da NRG; as condições de financiamento da NRG não conseguiam competir com a SolarCity ou a Sunrun.

Crane estabeleceu metas de participação de mercado que pessoas de dentro chamaram de irrealistas e ignorou alertas de quem entendia de solar, gastando dólares de marketing em um comercial de TV de alto conceito em vez de aquisição de clientes.

O ágio da aquisição da Texas Genco em 2006, construído no topo do mercado de energia do Texas, ficou parado nos livros por uma década até que o gás barato apagou a maior parte dele em um único ano.

Uma virada precisa ser sustentada por um negócio principal no qual os investidores ainda acreditam. Quando o motor de caixa afunda e as novas apostas não estão comprovadas, você perde a permissão para ambas — ajuste a ambição ao balanço.

Sob Gutierrez, a NRG abandonou o plano de cisão da GreenCo, encerrou as operações de solar em telhados e de recarga de veículos elétricos e, em fevereiro de 2018, vendeu seu negócio de renováveis e sua participação de 46% na NRG Yield à Global Infrastructure Partners por US$ 1,375 bilhão — parte de US$ 2,8 bilhões em vendas de ativos que eliminaram cerca de US$ 7 bilhões de dívida consolidada. A plataforma de renováveis tornou-se a Clearway Energy Group. Crane passou a liderar empreendimentos de armazenamento; a geradora de energia no atacado que ele deixou para trás agora se promove com base em confiabilidade e retorno de caixa aos acionistas, em vez de branding para millennials.

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As fontes

  1. Why NRG's green crusade faltered E&E News (EnergyWire) · eenews.net ·
  2. David Crane steps down as NRG Energy CEO Utility Dive · utilitydive.com ·
  3. NRG Energy, Inc. Form 10-K for fiscal year 2015 US Securities and Exchange Commission (EDGAR) · sec.gov
  4. NRG to sell renewables business, NRG Yield to Global Infrastructure Partners pv magazine USA · pv-magazine-usa.com ·