Em dezembro de 2021, a Mercedes-AMG Petronas anunciou a Kingspan, multinacional irlandesa de isolamento, como patrocinadora apresentada como parte do programa de sustentabilidade da equipe, com a empresa de Cavan trazida para presidir um novo grupo de trabalho de sustentabilidade. O acordo foi reportado como valendo £4 milhões (€4,7 milhões) por ano. O logotipo da Kingspan apareceu pela primeira vez nos carros de Lewis Hamilton e Valtteri Bottas no Grande Prêmio da Arábia Saudita, que Hamilton venceu.
A reação negativa foi imediata. O Grenfell United, grupo de campanha dos sobreviventes, condenou o acordo: parte do isolamento da Kingspan havia sido usado na reforma da Torre Grenfell antes do incêndio de junho de 2017 que matou 72 pessoas, e o inquérito público ainda estava em andamento, com a operação britânica da Kingspan sendo participante central. A Kingspan sustentava que seu painel K15 compunha cerca de 5 por cento da camada de isolamento da fachada, substituído sem seu conhecimento. O secretário de Habitação, Michael Gove, alertou que o Reino Unido poderia alterar as regras de publicidade para carros de corrida caso a parceria se mantivesse.
Uma semana após o anúncio, antes da final da temporada em Abu Dhabi, os dois lados concordaram em recuar. O chefe de equipe Toto Wolff já havia pedido desculpas aos sobreviventes de Grenfell e aos parentes enlutados antes da corrida de Jeddah e agradecido ao Grenfell United por uma oferta de encontro. A Kingspan disse estar "profundamente ciente das sensibilidades" e que "não era apropriado avançar no momento atual", condenando a "conduta histórica e os e-mails totalmente inaceitáveis" de um pequeno grupo de funcionários de sua operação britânica de isolamento que vieram à tona por meio do processo de descoberta do inquérito.
Um patrocínio reportado em £4 milhões (€4,7 milhões) por ano, descartado antes da última corrida da temporada, além de um pedido de desculpas público de Toto Wolff.
A equipe vendeu o acordo como uma parceria de sustentabilidade sem ponderar que seu patrocinador era participante central de um inquérito de segurança contra incêndio em andamento.
A Kingspan queria um palco mundial para sua história de sustentabilidade enquanto o Inquérito Grenfell continuava produzindo evidências prejudiciais sobre seu painel K15 e sua conduta interna.
O momento tornou a associação insustentável: os logotipos circularam justamente quando novas reportagens do inquérito estavam em circulação, dando aos sobreviventes e aos políticos um alvo óbvio.
Um ministro do gabinete ameaçando mudar as regras de publicidade transformou um problema de relações públicas em um problema regulatório e comercial.
A lição
A bagagem de um patrocinador pesa mais que seu cheque: a devida diligência precisa abranger quem será prejudicado pela associação, não apenas o que a marca ganha.
O patrocínio foi engavetado sete dias após o lançamento, antes da final em Abu Dhabi, onde Hamilton lutava para manter seu título. O pedido de desculpas de Wolff aos sobreviventes e aos parentes enlutados permaneceu, junto com uma oferta de encontro ao Grenfell United. A Kingspan disse apoiar plenamente o inquérito e ter realizado novos testes de incêndio que, segundo ela, sustentavam as alegações históricas de segurança contra incêndio de seus testes K15. O episódio deixou ambas as marcas ligadas ao incêndio da torre, e não à sustentabilidade.
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As fontes
- Mercedes and Kingspan shelve Formula 1 sponsorship after Grenfell backlash The Irish Times · irishtimes.com ·