Em março de 2015, a Lord & Taylor lançou sua linha Design Lab concentrando todos os esforços em um único vestido assimétrico de estampa paisley. A rede pagou à revista Nylon por um artigo nativo e uma publicação no Instagram — ambos revisados e aprovados pela Lord & Taylor — e pagou a 50 influenciadores de moda entre US$ 1.000 e US$ 4.000 cada, além do vestido, para postarem fotos usando a peça ao longo de um único fim de semana coordenado. As publicações alcançaram cerca de 11,4 milhões de usuários, e o vestido esgotou.

Nada sobre o acordo foi divulgado. Nenhuma das publicações aprovadas dos influenciadores revelava que o vestido era gratuito, que quem postava havia sido pago ou que o fim de semana era uma campanha publicitária, e o conteúdo da Nylon também não trazia rótulo de publicidade. Em 15 de março de 2016, a FTC acusou a Lord & Taylor de publicidade enganosa: conteúdo pago apresentado como opinião independente.

O acordo — uma ordem de consentimento sem penalidade monetária — proibiu a Lord & Taylor de apresentar endossos pagos como independentes e exigiu divulgação clara de qualquer conexão material "nas proximidades" do endosso, com o programa sob monitoramento. Uma porta-voz da empresa afirmou que a Lord & Taylor tomou medidas imediatas assim que os problemas de divulgação chegaram ao seu conhecimento; Mary Engle, da FTC, resumiu o padrão com clareza: a publicidade precisa ser identificável como publicidade.

A FTC acusou a empresa de enganar o consumidor e impôs uma ordem de consentimento exigindo divulgação clara das conexões materiais nas proximidades dos endossos, com monitoramento.

A campanha foi projetada para parecer espontânea — mesmo vestido, mesmo fim de semana, sem rótulos —, o que é justamente o que a tornou enganosa sob a lei da FTC.

A marca aprovou o conteúdo, inclusive a publicação da Nylon, ao mesmo tempo que o apresentava como opinião editorial independente; o controle não divulgado é a fraude.

O vestido esgotou, o que ensinou a lição errada: o ocultamento funcionou comercialmente até que um regulador lhe atribuiu um preço.

Se o público lê uma publicação paga como opinião independente, a divulgação não é decoração — controlar o conteúdo enquanto se esconde o pagamento é engano, não marketing.

O caso tornou-se a ação de referência da FTC para publicidade nativa e divulgação por influenciadores, citada nos guias de endosso da agência e em todo memorando de conformidade sobre redes sociais pagas. A própria Lord & Taylor encerrou suas atividades em 2021, mas o padrão de divulgação da ordem de consentimento sobreviveu à loja.

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As fontes

  1. FTC — FTC's Lord & Taylor case: In native advertising, clear disclosure is always in style ftc.gov
  2. USA Today — Lord & Taylor settles FTC charges over paid Instagram posts usatoday.com
  3. FTC legal library — Lord & Taylor, LLC, In the Matter of ftc.gov