A Café del Plata, empresa que opera a rede de cafeterias Havanna, da Argentina, no Brasil, uniu-se a cinco empresas relacionadas para pedir ao sistema de Justiça de São Paulo a aprovação de um plano de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 127 milhões em dívidas com credores financeiros. O grupo — que atua há mais de 30 anos nos setores de cosméticos, perfumaria, higiene pessoal e alimentos — argumentou que as empresas operam de forma integrada, compartilham garantias, têm controle comum e mantêm relações financeiras, de modo que precisavam se reestruturar em conjunto.

O modelo da rede concentrava o risco: cerca de 97% das 250 unidades da Havanna Brasil ficam dentro de shopping centers, e o pedido afirmava que mais de 90% dos pontos de venda do grupo estavam em shoppings, um segmento que sofre com a queda do fluxo de clientes. A sócia fundadora e diretora de crescimento Adriana Villela já havia dito ao Valor que o custo de ocupação era o maior problema da operação — "o aluguel" — e que 2026 tinha sido um ano de sobrevivência, com franqueados cautelosos e feriados afastando os consumidores.

A mecânica financeira agravou a situação: boa parte da dívida foi contratada quando a taxa básica Selic estava abaixo de 3%, e o aperto subsequente para acima de 12% inflou as despesas financeiras, somando-se ao endividamento da época da pandemia e à inadimplência de clientes e franqueados. A empresa adiou sua meta de 500 lojas de 2026 para 2028 e reduziu sua projeção de receita para 2026 a R$ 450 milhões, enquanto alegava em documentos judiciais que a própria Café del Plata estava "em constante ascensão" — e, em nota posterior, ainda mirava mais de 700 pontos de venda até 2030.

R$ 127 milhões em dívidas financeiras em recuperação extrajudicial; projeção de receita para 2026 reduzida a R$ 450 milhões; meta de 500 lojas adiada de 2026 para 2028.

Concentrar 97% das lojas em shopping centers atrelou o destino da rede a um único formato imobiliário em dificuldades e aos seus custos de aluguel.

O grupo tomou empréstimos pesados enquanto a Selic estava abaixo de 3%, e depois viu os juros acima de 12% transformarem a alavancagem rotineira em um problema de solvência.

A expansão liderada por franquias (apenas três das 250 lojas são próprias) espalhou o modelo rapidamente, mas deixou a operadora dependente do fluxo de caixa dos franqueados e dos locadores dos shoppings.

A empresa reduziu publicamente suas próprias metas de crescimento mesmo enquanto dizia à Justiça que o negócio estava em ascensão — uma lacuna entre o discurso e os números.

Expandir-se quase inteiramente em espaço alugado de shopping centers com dívida a taxas baratas deixa uma rede de franquias pagando por dois ciclos ao mesmo tempo: o aluguel e os juros.

O pedido aguardava homologação pela Justiça de São Paulo; a Havanna Brasil afirmou que o processo decorre de obrigações contraídas por outras empresas do grupo e que a reestruturação visa proteger suas operações, fornecedores e franqueados. A empresa não divulgou quanto dos R$ 127 milhões é atribuível à Café del Plata.

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As fontes

  1. Operadora da Havanna no Brasil integra grupo em recuperação extrajudicial de R$ 127 milhões Valor Econômico · valor.globo.com ·