Fundada em 1979, a Go Sport foi por quatro décadas uma conhecida varejista de esportes francesa: equipamentos, tênis e uniformes de times na maioria das cidades de médio porte. Assim como a Camaïeu, acabou no portfólio da Hermione People & Brands, um grupo holding que colecionava redes francesas em dificuldade; e, assim como a Camaïeu, chegou lá sem um dono capaz de pagar por sua recuperação.
Quando o grupo entrou em recuperação judicial, a HPB primeiro propôs um plano de continuidade — depois desistiu dele. Em abril de 2023, o tribunal comercial escolheu a única oferta crível: a rival Intersport converteria 50 das 72 lojas da Go Sport para sua própria bandeira, preservando cerca de 90% dos empregos. As 22 lojas restantes fecharam. A própria marca entrou em liquidação total e desapareceu das ruas comerciais.
O padrão em todo o portfólio da HPB — Camaïeu liquidada cinco meses antes, Go Sport fragmentada e vendida — é a aritmética das holdings de resgate: um grupo montado a partir de redes em dificuldade não tem lucros para financiar nenhuma delas, e o Estado não financiará todas. Cada rede então morre na mesma pergunta: há um comprador para as peças? Para a Go Sport havia; para 22 de suas lojas não havia.
O tribunal escolheu a oferta da Intersport para converter 50 das 72 lojas, salvando cerca de 90% dos empregos, mas as 22 restantes fecharam e a marca foi liquidada.
Uma holding de resgate compra redes a preço baixo e herda seus custos — sem um núcleo lucrativo, não há de onde tirar o dinheiro da recuperação.
Quando o dono abandona seu próprio plano de continuidade, a única pergunta do tribunal passa a ser quem ficará com as peças — a marca já foi concedida.
Um comprador concorrente salva os empregos, mas não a marca: a Intersport queria as lojas e os funcionários, não o nome na fachada.
A lição
Comprar redes em dificuldade não é uma estratégia, a menos que uma delas dê lucro — um portfólio de recuperações sem fonte de financiamento é uma fila para o tribunal, processada uma rede de cada vez.
CONFIRA AS EVIDÊNCIAS