Em janeiro de 2021, após nove meses de investigação, o Ministério Público Central do Distrito de Seul indiciou três contadores da Deloitte Anjin e dois investidores financeiros por violação das leis contábeis da Coreia — supostamente por conluio para distorcer o preço estimado das ações da Kyobo Life Insurance antes da abertura de capital. A Kyobo havia acusado a firma de contabilidade em abril de 2020 de avaliar a seguradora de forma 'injusta e insincera', a pedido de um consórcio liderado pela Affinity Equity Partners, segunda maior acionista da Kyobo, que havia comprado uma participação de 24,01 por cento em 2012 por 1,2 trilhão de won.
A disputa girava em torno de uma opção de venda assinada em 2012: se a Kyobo não abrisse o capital até o fim de 2015, o consórcio poderia retirar seu capital. Após a Kyobo adiar a abertura de capital, os investidores instaram o presidente Shin Chang-jae a recomprar suas ações a 409.000 won por ação; Shin argumentou que o preço deveria ser de 200.000 a 300.000 won. O consórcio se aliou à Deloitte Anjin para sustentar sua exigência — um preço que a Kyobo considerava excessivo.
A Kyobo afirmou que sua decisão de não abrir o capital refletia 'circunstâncias de mercado desfavoráveis' — taxas de juros ultrabaixas e regulação do setor de seguros pendente — e chamou o indiciamento de 'novo marco' contra práticas contábeis injustas. A Affinity rebateu que a Kyobo havia cumprido os requisitos quantitativos para a abertura de capital, e alegou que o verdadeiro motivo pelo qual Shin evitou a listagem foi que novas ações diluiriam seu controle de gestão. Ambos os lados rejeitaram a versão do outro.
Três contadores da Deloitte Anjin e dois investidores financeiros indiciados por violação das leis contábeis após nove meses de investigação do Ministério Público de Seul.
O consórcio encomendou uma avaliação para sustentar sua exigência de recompra a 409.000 won, tornando a independência do auditor em uma negociação de preço adversarial a questão central.
Os promotores concluíram que os contadores e os investidores agiram em conluio para distorcer o preço estimado das ações — uma suposta violação da lei contábil, não apenas uma divergência de opinião.
O adiamento da abertura de capital pela Kyobo acionou a opção de venda, mas a seguradora argumentou que o adiamento foi um julgamento de mercado, deixando a disputa sobre a avaliação para decidir o preço de saída.
A via criminal — indiciamento em vez de uma disputa civil sobre avaliação — refletiu o quanto o suposto conluio ultrapassou o trabalho de assessoria comum.
A lição
Uma avaliação em uma disputa entre acionistas é advocacia, a menos que seja testada: quando o auditor trabalha para o preço, o número deixa de ser uma estimativa e se torna evidência.
O indiciamento foi anunciado em 20 de janeiro de 2021. Um porta-voz da Kyobo disse que a posição da empresa permanecia inabalável de que os investidores supervalorizaram o preço estimado das ações depois que a Kyobo decidiu não abrir o capital no prazo acordado; um funcionário da Affinity sustentou que a Kyobo havia cumprido os requisitos legais para uma abertura de capital e a evitou para proteger o controle do presidente. O artigo de origem não relata o desfecho do julgamento.
CONFIRA AS EVIDÊNCIAS
As fontes
- Kyobo gains edge in battle with Deloitte The Korea Times · koreatimes.co.kr ·