O Aboriginal Community Benefit Fund, mais tarde conhecido como Youpla, foi criado na década de 1990 pelo empresário nascido no Reino Unido Ron Pattenden com dois agentes de saúde aborígenes, vendendo planos de pagamento funerário porta a porta em comunidades indígenas, onde o Sorry Business torna os funerais uma das obrigações culturais mais importantes — e caras. Famílias aos milhares abriram suas casas e carteiras aos vendedores.
Preocupações foram levantadas quase imediatamente. Um regulador interveio cedo e a empresa cessou brevemente as atividades — mas, em vez de morrer, recomeçou e se expandiu. Ao longo dos anos, vendeu apólices a pessoas com baixo letramento financeiro, incentivou pais a segurar bebês e crianças do ensino fundamental, comercializou-se como de propriedade e administração aborígenes quando não era, e não financiou os projetos comunitários que havia prometido.
Entre 2001 e 2017, a empresa foi autorizada a deduzir milhões de dólares diretamente dos pagamentos do Centrelink dos clientes, apesar de um alerta de que os consumidores estavam vulneráveis se a empresa falisse. A ASIC moveu três ações judiciais contra ela; como uma hidra, a ACBF sempre fazia crescer outra cabeça, até se transformar em quatro empresas. Milhões de dólares foram enviados ao exterior para uma seguradora associada a Pattenden — de forma totalmente legal, segundo uma decisão judicial anterior.
A ação real só veio quando a conduta da ACBF foi exposta na comissão real de inquérito sobre o setor bancário e sua licença para vender novos produtos foi cassada. Reguladores e governo foram alertados então de que o fundo corria risco de colapso com o dinheiro de 14.500 pessoas indígenas — mas nada foi feito para protegê-lo. Quando o fundo faliu em março de 2022, um relatório do liquidante estimou as perdas dos clientes em pelo menos AU$ 66 milhões; defensores acreditam que mais de 30.000 pessoas foram afetadas ao longo dos anos.
14.500 clientes com um prejuízo de pelo menos AU$ 66 milhões, segundo o relatório do liquidante; defensores estimam que mais de 30.000 pessoas perderam dinheiro ao longo de três décadas
O modelo de negócios dependia de uma confiança que havia sido fabricada — uma identidade de som aborígene e promessas comunitárias que não eram verdadeiras.
Continuou vendendo a clientes financeiramente vulneráveis mesmo após repetidas ações regulatórias, porque cada encerramento era seguido de um recomeço.
Os direitos de dedução do Centrelink tornaram a cobrança automática e isolaram o fundo da necessidade de conquistar o próximo pagamento.
Cada regulador detinha uma parte — ASIC, NSW Fair Trading, AFCA — e a responsabilidade não parava com ninguém até a comissão real.
A lição
Vender a clientes vulneráveis com base em confiança emprestada — um nome, uma comunidade, uma promessa — é um modelo que funciona até a regulação alcançá-lo, e então todos perdem.
Conforme a reportagem da ABC de 4 de agosto de 2022: os liquidantes ainda trabalhavam para estabelecer por que a empresa faliu; defensores pressionavam por compensação e perguntavam por que os reguladores falharam em intervir por décadas. Pattenden, encontrado na Nova Zelândia com seu iate de 32,9 metros e apartamento à beira-mar, disse que não era o culpado pelo fim da empresa.
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As fontes
- Why the collapse of the Aboriginal Community Benefit Fund is a reckoning for regulators ABC News · abc.net.au ·