Em 12 de agosto de 2020, o ABN Amro anunciou que cortaria cerca de 800 dos 2.500 empregos de sua unidade de Corporate & Institutional Banking (CIB), encerraria todas as atividades de banco corporativo fora da Europa e descontinuaria atividades não essenciais ao longo dos três a quatro anos seguintes. O diretor-presidente Robert Swaak enquadrou o recuo como uma questão de escala: o banco se concentraria em "segmentos em que podemos alcançar escala, de modo que vamos nos concentrar nos Países Baixos e no Noroeste da Europa".
Os números por trás do recuo eram contundentes. O banco reportou um prejuízo líquido de €5 milhões no segundo trimestre de 2020, mesmo após cortar custos em 8%, porque o lucro operacional de €786 milhões foi atingido por uma provisão de €703 milhões para créditos de liquidação duvidosa — dos quais €591 milhões estavam na CIB, incluindo empréstimos ao processador de pagamentos alemão Wirecard, que faliu. O primeiro trimestre já havia produzido um prejuízo de €395 milhões, o primeiro do ABN Amro em seis anos e meio, impulsionado principalmente pela CIB: problemas com um fundo de investimento dos EUA e "potencial fraude" envolvendo um negociante de petróleo sediado em Singapura.
O recuo recaiu sobre um banco ainda 56% detido pelo Estado neerlandês e ainda à espera do desfecho de uma investigação criminal, aberta em setembro anterior, sobre supostas falhas na realização de verificações adequadas de combate à lavagem de dinheiro — a unidade que estava sendo reduzida não era seu único problema, mas era a que consumia as provisões.
Provisão de €703 milhões no 2º trimestre de 2020 (€591 milhões na CIB), após um prejuízo de €395 milhões no primeiro trimestre — o primeiro do banco em 6,5 anos —, além do corte de cerca de 800 dos 2.500 empregos da CIB.
As provisões nomeiam o modo de falha: empréstimos a nomes de pagamentos e de negociação em rápido crescimento no exterior produziram perdas de concentração para as quais a franquia não conseguia precificar.
Dois prejuízos trimestrais consecutivos — o primeiro em 6,5 anos — transformaram uma questão de estratégia em uma questão de capital.
O próprio enquadramento de Swaak admite a tese: sem escala fora da região, o banco corporativo não europeu era uma exposição estruturalmente subescalada.
A participação estatal de 56% elevou o preço político de persistir em um experimento internacional deficitário.
A lição
O banco corporativo fora da sua região de origem exige a escala que só se obtém sendo dominante ali; um banco estatal que aprende isso com exposições à Wirecard encerra o experimento.
A descontinuação das atividades não essenciais estava prevista para durar três a quatro anos a partir de agosto de 2020; a investigação criminal sobre lavagem de dinheiro permanecia em aberto. O material não informa data de conclusão nem custo final do recuo.
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As fontes
- ABN Amro to cut 800 jobs at CIB business unit, focus on north western Europe DutchNews.nl · dutchnews.nl ·