A Terre Cortesi Moncaro era a maior cooperativa vinícola da região das Marcas, fundada em 1964 em Montecarotto. Contava com 612 produtores associados que cultivavam 1.300 hectares e produzia cerca de 10 milhões de garrafas por ano, das quais aproximadamente 40 por cento eram exportadas. Empregava 58 pessoas e era uma força dominante na denominação Verdicchio dei Castelli di Jesi, uma das denominações de vinho branco mais reconhecidas da Itália.
A crise foi se acumulando ao longo de 2023 e eclodiu em fevereiro de 2024, quando o conselho de administração destituiu o histórico presidente Doriano Marchetti, que liderava a cooperativa havia 25 anos. Donatella Manetti assumiu o cargo e deparou-se com a dimensão dos danos: cerca de € 25 milhões em dívidas a bancos e fornecedores, funcionários sem salários pagos e uma aquisição de € 8,75 milhões — a Villa Medoro, nos Abruzos — que agravou ainda mais as finanças. Uma epidemia de míldio em 2023 devastou a colheita em toda a Itália central, acentuando o déficit.
Em agosto de 2024, a cooperativa entrou com um concordato preventivo — um acordo preventivo, a forma italiana de proteção contra credores. O tribunal nomeou Marcello Pollio como comissário judicial para supervisionar as negociações com os credores. O Istituto Marchigiano di Tutela Vini (IMT) interveio com uma medida de armazenamento para o Verdicchio dei Castelli di Jesi, limitando os rendimentos e bloqueando até 30 quintais por hectare até junho de 2025, para proteger o valor da denominação de uma inundação de vinho a granel caso os credores da Moncaro forçassem uma venda de liquidação.
A crise enviou um choque por toda a denominação Verdicchio. Os produtores temiam que o vinho a granel em dificuldades das adegas da Moncaro derrubasse os preços para todos. Os problemas da cooperativa foram descritos como estruturais — o resultado do aumento dos custos de energia e de vidro, de uma colheita ruim e de uma aquisição que se revelou grande demais para o balanço de uma cooperativa.
A aquisição da Villa Medoro por € 8,75 milhões não deixou margem para uma quebra de safra em 2023, de modo que a cooperativa recorreu ao concordato preventivo, com o IMT limitando os rendimentos.
A aquisição da Villa Medoro, nos Abruzos, por € 8,75 milhões sobrecarregou um balanço de cooperativa que já arcava com custos de produção crescentes, não deixando margem para uma colheita ruim
O míldio em 2023 reduziu drasticamente a colheita na Itália central, cortando a receita da qual a cooperativa dependia para honrar sua dívida
Os preços da energia e do vidro subiram acentuadamente após 2022, comprimindo as margens de um produto que compete por preço e não por exclusividade
O conselho de administração só mudou de liderança depois que a dívida já havia atingido € 25 milhões e os funcionários estavam sem receber, quando as opções de uma solução extrajudicial já estavam esgotadas
A lição
Uma cooperativa não tem margem de capital próprio. Quando gasta milhões em uma aquisição, aposta na colheita. Se a safra falha quando a dívida vence, o único caminho é a proteção contra credores.
O comissário judicial Marcello Pollio iniciou negociações com os credores no âmbito do concordato preventivo. A medida de armazenamento do IMT impediu que o estoque em dificuldades inundasse o mercado do Verdicchio até junho de 2025, mas a medida foi um paliativo, não uma cura. Os 612 produtores associados e os 58 funcionários da cooperativa enfrentaram uma safra incerta, e a reputação do Verdicchio dei Castelli di Jesi como denominação foi prejudicada por associação. Produtores de outras vinícolas das Marcas descreveram a crise como 'um dano para todo o território'.
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