A Sete Brasil foi criada em 2010 — com a Petrobras, bancos e empresas de investimento como acionistas — para construir 28 sondas de petróleo que atenderiam a Petrobras sob contratos obtidos por meio da licitação da estatal. As embarcações envolviam um investimento estimado em cerca de US$ 25 bilhões, mas apenas quatro tiveram a construção iniciada.

O empreendimento naufragou nas investigações da Lava Jato, que revelaram um esquema de corrupção e sobrepreço no programa de sondas. A Sete Brasil entrou em recuperação judicial em 2016, e a própria recuperação se tornou um fracasso em câmera lenta: ao longo de oito anos, a empresa realizou 44 assembleias de credores e produziu 18 versões do plano de recuperação, das quais cinco foram votadas. Menos de 0,05% dos créditos foram pagos, com 99,9614% dos créditos em inadimplência; 33 credores das classes I-III receberam cerca de R$ 1 milhão no total, enquanto o passivo cresceu de R$ 21,7 bilhões para R$ 36 bilhões.

Em 17 de dezembro de 2024, o juiz Luiz Alberto Carvalho Alves, da 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, decretou a falência da Sete Brasil, observando que a empresa "não apresenta mais condições de retomada" e que as despesas administrativas mensais haviam subido de R$ 2,56 milhões em maio para R$ 4,68 milhões em setembro. O pedido de falência partiu do próprio administrador judicial, a Licks Associados, que afirmou que a empresa não tinha empregados, não exercia atividade empresarial e não dispunha de plano viável.

O passivo cresceu de R$ 21,7 bilhões para R$ 36 bilhões durante a recuperação judicial; 99,96% dos créditos ficaram sem pagamento; falência decretada em 17 de dezembro de 2024.

Cada sonda tinha exatamente um cliente: quando o escândalo de corrupção desse próprio cliente paralisou o programa, a empresa não tinha mais nada a vender.

A corrupção e o sobrepreço revelados pela Lava Jato envenenaram a economia de navios que seriam construídos no Brasil a custo inflado.

Oito anos de recuperação judicial produziram 18 versões de plano e quase nenhum pagamento aos credores — o processo substituiu um negócio viável.

Os custos administrativos continuaram se acumulando enquanto a empresa não gerava receita, tornando o espólio menor a cada mês que sobrevivia.

Um empreendimento construído em torno de um único cliente estatal vive e morre com a política desse cliente: a concentração é alavancagem até o escândalo chegar.

A Sete Brasil afirmou ter recebido com surpresa a decisão de falência, antes do prazo definido pelos credores em assembleia, e está recorrendo — insistindo que a recuperação judicial continua possível por meio de medidas já alinhadas com os credores.

CONFIRA AS EVIDÊNCIAS

As fontes

  1. Justiça decreta falência da Sete Brasil, empresa de sondas criada pela Petrobras Valor Econômico · valor.globo.com ·