Campbell Nicholas, diretor financeiro da Freedom Foods — fabricante do leite de aveia Milklab listada na ASX, renomeada Noumi em 2021 — foi multado em AU$ 100 mil e proibido de administrar empresas por quatro anos pela Corte Federal por deliberadamente enganar o conselho sobre números de receita e de estoque. O juiz Ian Jackman concluiu que ele fez 'representações diretas ao conselho, nas quais afirmou que não havia problemas com as demonstrações financeiras quando sabia que isso era falso'.
O que estava sendo escondido: depósitos cheios de estoque vencido, rejeitado ou de outra forma obsoleto que Nicholas conhecia havia quase um ano. Quando as contas foram finalmente reexpressas, a empresa fez uma baixa contábil de AU$ 590 milhões, a negociação foi suspensa por nove meses, o preço das ações despencou e permaneceu no fundo do poço, e os acionistas iniciaram uma ação coletiva.
Nicholas disse à ASIC que agiu sob pressão do CEO Rory Macleod, que tinha 'autoridade e controle completos sobre todas as mensagens ao conselho' no que Nicholas chamou de cultura autocrática — em março de 2020, o estresse o levava a beber mais de uma garrafa de vinho por noite e a se sentir 'perto de ultrapassar o limite'. O juiz Jackman aceitou a pressão como contexto, mas sustentou que Nicholas, também secretário da companhia e responsável pela divulgação, tinha responsabilidade vital pela governança.
AU$ 590 milhões em baixas contábeis, uma suspensão de negociação de nove meses, um preço de ação em queda, uma ação coletiva de acionistas, uma multa de AU$ 100 mil e uma proibição de quatro anos
Milhões de dólares em estoque morto se acumularam por quase um ano enquanto o conselho era informado de que as finanças estavam limpas.
O CFO acumulava as funções de secretário da companhia e responsável pela divulgação — exatamente os papéis responsáveis por corrigir o registro.
Uma cultura de reporte autocrática fez do CEO o único canal para o conselho, de modo que as más notícias não tinham caminho para subir.
As falhas de divulgação contínua negaram informações aos investidores e, como observou a ASIC, corroeram a confiança do mercado.
A lição
Um CFO que assina demonstrações limpas para proteger a versão do CEO assume a mentira aos olhos do tribunal — a pressão é contexto, não defesa.
O caso da ASIC — protocolado no início de 2023 após uma investigação iniciada em julho de 2020 — abrangeu três réus: Noumi, Nicholas e Macleod. A Corte Federal ordenou que a Noumi pagasse AU$ 5 milhões em uma sentença que revelou novos detalhes de como o encobrimento veio à tona; a empresa, apoiada pela família bilionária Perich, havia instalado Michael Perich como diretor executivo depois de se renomear Noumi.
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As fontes
- 'Close to going over the edge): Ex-CFO fined over Milklab cover-up The Sydney Morning Herald · smh.com.au ·