A Naf Naf foi fundada em 1973 e cresceu até se tornar uma das marcas de prêt-à-porter feminino mais conhecidas da França, presença constante nas ruas comerciais e nos shopping centers por meio século. A primeira recuperação judicial veio em 2020, quando a pandemia fechou lojas e congelou a receita. A marca saiu da situação, passou por reestruturação e foi adquirida — mas o problema de fundo, um modelo de varejo físico em um mercado que migrava para o online, não foi resolvido.
A segunda recuperação judicial veio em 2023. Uma empresa turca, a Migiboy Tekstil, comprou a marca em 2024 e tentou outra virada. Durou menos de um ano. Em 30 de maio de 2025, o Tribunal Comercial de Bobigny colocou a Naf Naf em recuperação judicial pela terceira vez em cinco anos, citando dificuldades de fluxo de caixa. Cerca de 600 empregos foram ameaçados.
Três proteções judiciais em cinco anos são um padrão, não uma série de acidentes. Cada recuperação judicial preservou o nome da marca e algumas lojas enquanto o mercado continuava a se mover. A lição não é que a Naf Naf teve azar três vezes; é que um resgate sem um novo modelo de negócios é um adiamento, não uma solução.
Cada recuperação judicial reestruturou a dívida, mas não o negócio; a proteção judicial protege dos credores, não dos clientes que deixaram de vir, deixando 600 empregos em risco.
Cada recuperação judicial reestruturou a dívida, mas não reestruturou o negócio — o modelo dependente de lojas físicas sobreviveu intacto a cada vez.
Os compradores (Beaumanoir, depois Migiboy) compraram o nome da marca e os contratos de aluguel, não um caminho viável para a lucratividade.
O prêt-à-porter francês está em declínio estrutural: o fluxo de pedestres cai, o online cresce, e as marcas de médio mercado são pressionadas por ambos os lados.
A proteção judicial protege uma empresa dos credores, mas não dos clientes que deixaram de vir.
A lição
Uma recuperação judicial protege uma empresa dos credores, não do seu mercado. A Naf Naf foi resgatada três vezes e pediu proteção três vezes — o resgate corrigiu o balanço, não o negócio.
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