A Life Resolutions, uma franquia de psicologia fundada em 2001 por Mary Magalotti e Jodie Brenton, vendia aos profissionais um pacote: a sede cuidaria de todo o marketing, dos encaminhamentos e dos agendamentos enquanto os psicólogos 'viam o dinheiro entrar'. O site prometia uma 'taxa de sucesso de 100 por cento' e uma renda mínima garantida de A$ 120 mil no primeiro ano. Dezenas de pessoas se endividaram pesadamente para entrar — A$ 55 mil por uma franquia, A$ 260 mil para ser master franqueado e recrutar outros a A$ 55 mil por cabeça —, muitas vezes dando suas casas como garantia dos empréstimos.
A economia nunca funcionou para os franqueados: a empresa controladora cobrava até 17 por cento de comissão por sessão, faturava A$ 357,50 por cinco horas de 'esforço de marketing' e pagava aos psicólogos A$ 88 por sessão, enquanto recolhia o dinheiro dos clientes e demorava a repassá-lo. A psicóloga Nihal Kucuk tomou emprestados A$ 260 mil como representante de área, com a promessa de que 'certamente' pagaria tudo rapidamente; ela diz que nunca recebeu um dólar. Em outubro de 2018 veio o recado de voz de Magalotti: a empresa estava em liquidação, 'o dinheiro que você investiu se foi. Eu não te odeio, e espero que você não me odeie'.
A liquidação foi arquitetada no mês anterior ao recado de voz. Brenton criou uma nova empresa em 30 de agosto, Magalotti renunciou ao cargo de diretora no dia seguinte e, em 10 de setembro, as antigas entidades venderam A$ 125 mil em ativos para a nova, que assumiu apenas os A$ 301 mil de dívida bancária garantida — deixando cerca de A$ 2 milhões de dívida não garantida, devida principalmente aos psicólogos, na casca vazia. Os contratos de franquia foram transferidos para outra nova empresa. Ambos os liquidantes identificaram possível comércio em situação de insolvência desde junho de 2017; nenhum credor recebe qualquer dividendo.
O custo
Mais de 30 psicólogos sofreram danos financeiros, alguns enfrentando a retomada de suas casas; só a LRA devia A$ 2,3 milhões a mais de 40 credores, incluindo o próprio trust dos fundadores.
O modelo de receita se alimentava das taxas de adesão, e não de clínicas bem-sucedidas, de modo que a pressão por recrutamento sempre superava a entrega de clientes.
As garantias de renda no site — primeiro A$ 120 mil, depois A$ 85 mil — eram usadas para vender empréstimos garantidos por casas de família.
À medida que o dinheiro acabava, a empresa recolhia os pagamentos dos clientes e não repassava os ganhos de A$ 88 por sessão dos psicólogos.
Semanas antes da liquidação, ativos e contratos de franquia foram transferidos para novas entidades que continuaram operando com a mesma marca.
A lição
Uma franquia que lucra com taxas de recrutamento, e não com o serviço, não tem motivo para que sua promessa se concretize — verifique quem de fato recebe o dinheiro.
As novas empresas continuaram operando a marca Life Resolutions e continuaram recrutando — meses após a liquidação, Magalotti enviou um e-mail a uma estagiária inexperiente oferecendo uma vaga de 'representante de área' por uma taxa de A$ 275 mil. June Staunton processou Magalotti por conduta enganosa ou ilusória; os fundadores negaram todas as alegações, dizendo que 'nenhum nível de renda era garantido' e chamando a liquidação de reestruturação. Os franqueados reclamaram à ASIC, que se recusou a agir; os liquidantes concluíram que as ações de recuperação não valiam o financiamento, de modo que os credores — principalmente os psicólogos — não recebem nada.
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As fontes
- Psychologists financially ruined after joining failed counselling franchise ABC News · abc.net.au ·