No verão de 2022, a fornecedora de energia ExtraEnergie, de Monheim — que vende eletricidade e gás sob marcas como ExtraGas, PrioEnergie e HitEnergie — anunciou aumentos drásticos de preço, inclusive para clientes com garantia de preço. Segundo uma reportagem da Der Spiegel de outubro de 2026, a eletricidade de uma residência passaria de 28,3 para mais de 74 centavos por kWh, e o gás de um cliente de Memmingen, de 7,9 para 24,7 centavos — com faturas até milhares de euros mais altas em alguns casos.

A empresa também usou artifícios: cartas que ofereciam um crédito de € 50 direcionavam os clientes a códigos QR nos quais um clique descuidado era apresentado como consentimento ativo a um pagamento antecipado mais alto. Ela justificou os aumentos com a crise energética e os custos de aquisição após a guerra na Ucrânia — embora a ExtraEnergie tivesse obtido mais de € 400 milhões em lucro operacional entre 2015 e 2020, quase todo ele pago como "taxas de licenciamento" por software de faturamento e precificação a uma empresa irmã em Chipre, tributada a 2,5%.

A federação de consumidores vzbv classificou os aumentos como ilegais e ajuizou uma ação coletiva em 2023; mais de 4.200 clientes aderiram. Em 5 de outubro de 2026, o Tribunal Regional Superior de Hamm (OLG Hamm) concordou: todos os aumentos contestados do final de 2022 são inválidos, e o preço originalmente acordado continua a valer.

O tribunal rejeitou o argumento de impossibilidade da ExtraEnergie: ao formular uma garantia de preço fixo, a empresa assumira deliberadamente o risco de aquisição, e seu modelo de negócios visava precisamente conquistar clientes ou impedir que eles trocassem de fornecedor. Nem mesmo problemas graves de liquidez teriam justificado repassar os aumentos. "Nenhuma empresa pode enriquecer às custas de crises", disse a membro da diretoria do vzbv, Ramona Popp.

Todos os aumentos contestados do final de 2022 declarados inválidos — os clientes mantêm o preço original; reembolsos a seguir, com recurso ao BGH ainda possível.

A garantia de preço era o produto: o tribunal entendeu que vender certeza significava aceitar o risco de aquisição que vinha com ela.

Os aumentos chegaram a mais de 200% e atingiram primeiro os clientes com garantia, convertendo uma crise em lucro extraordinário às custas dos clientes.

O consentimento para parcelas mais altas foi obtido por meio de uma carta de crédito de € 50 e de um clique em código QR que a empresa depois citou como concordância ativa.

A desculpa da crise mal se sustentava diante de € 400 milhões em lucro pré-crise transferidos a uma empresa irmã em Chipre a uma alíquota de 2,5%.

Uma garantia de preço é um risco negociado, não um slogan: se você vende certeza para conquistar clientes, a crise é o momento em que você paga por isso — e os tribunais não permitirão que você devolva o risco quando ele vencer.

Permanece em aberto se a ExtraEnergie buscará uma revisão perante o Tribunal Federal de Justiça (BGH). Os clientes que se registraram no cadastro da ação coletiva até julho de 2026 estão protegidos contra a prescrição; para os demais, o prazo é geralmente o final de 2026 para as faturas de 2023. O vzbv está conduzindo ações coletivas contra outros fornecedores, incluindo Gas.de, Avacon, Stadtwerke Neubrandenburg e Hansewerk Natur.

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As fontes

  1. ExtraEnergie: Gericht erklärt frühere Preiserhöhungen für unzulässig Der Spiegel · spiegel.de ·