Em 9 de dezembro de 2019, a Tullow Oil cortou novamente sua orientação de produção e anunciou a saída imediata do diretor-presidente Paul McDade e do diretor de exploração Angus McCoss. As ações caíram mais de 70% em um único dia — a maior perda diária da empresa desde 2004.
As causas foram técnicas. O campo principal da Tullow, Jubilee, na costa de Gana, vinha sendo assolado por problemas de produção, um poço no vizinho campo TEN estava atrasado, e o petróleo descoberto na Guiana revelou-se de qualidade inferior ao esperado. A produção de 2019 já havia sido reduzida em 14%, para 87.000 barris por dia; a nova orientação dizia que 2020 encolheria ainda mais, para no máximo 80.000 bpd, e cairia para cerca de 70.000 bpd entre 2021 e 2023.
Os cortes recaíram sobre um balanço sem espaço para surpresas: a Tullow esperava dívida líquida de cerca de US$ 2,8 bilhões no fim de 2019, com US$ 300 milhões em títulos vencendo em 2021 e US$ 650 milhões em 2022 — contra um valor de mercado que o colapso deixou abaixo de um bilhão de dólares. O dividendo, restabelecido apenas meses antes após uma interrupção desde 2015, foi cancelado novamente.
As renúncias foram apresentadas como uma mudança de liderança para restaurar a confiança dos investidores, mas o dano era estrutural. Uma exploradora de médio porte precificara suas ações com base em um pipeline de novos campos e crescimento estável da produção; quando os poços entregaram menos do que o prometido, todo o caso de investimento — crescimento, fluxo de caixa, até a sobrevivência em seu tamanho antigo — desfez-se em uma única sessão de negociação.
Precificou ações com base em poços não comprovados; quando o petróleo da Guiana decepcionou, o prêmio de exploração desapareceu, e o valor de mercado caiu 70% em um dia.
Orientou a produção com base em poços ainda em avaliação — as descobertas na Guiana entregaram petróleo de qualidade inferior, e o prêmio de exploração embutido no preço da ação desapareceu em um dia.
Manteve uma meta otimista enquanto Jubilee e TEN tiveram desempenho abaixo do esperado por trimestres — os problemas técnicos eram visíveis, e a orientação foi cortada três vezes em poucos meses.
Restabeleceu o dividendo com dívida líquida perto de US$ 2,8 bilhões e refinanciamento previsto para 2021–22 — cancelá-lo meses depois fez o erro ser lido como má gestão, não como azar.
A lição
A orientação é uma promessa que o mercado precifica: incluir poços não comprovados nas metas significa que, no dia em que o poço decepciona, a promessa desmorona, não apenas o projeto.
A Tullow nomeou uma liderança interina e mais tarde vendeu participações em seus ativos em Uganda e no Quênia para reduzir a dívida. A sessão de dezembro de 2019 tornou-se um estudo de caso sobre a velocidade com que um balanço carregado de promessas se reprecifica quando a realidade técnica se impõe.
CONFIRA AS EVIDÊNCIAS
As fontes
- RTÉ — Tullow Oil management resignations rte.ie
- Reuters — Britain's Tullow Oil chief to exit as group loses half its value reuters.com
- Wikipedia — Tullow Oil en.wikipedia.org