A Naskar Gestão de Ativos, empresa de tecnologia financeira em operação desde 2013 fora do mercado regulado brasileiro, captava recursos de clientes por meio de contratos de 'mútuo' — na prática, empréstimos de clientes à empresa sob o Código Civil, sem supervisão da CVM ou do Banco Central. Entre seus sócios estava Maurício Volpato, conhecido como Maurício Jahu, ex-jogador da seleção brasileira de vôlei que se tornou apresentador de TV.

A empresa vendia a ideia de um algoritmo próprio que investiria em renda fixa e opções de ações, prometendo retornos de 1,5% a 2% ao mês — bem acima dos parâmetros tradicionais do mercado, como observaria depois a ABAI, associação dos assessores de investimento — e pagava mensalmente com pontualidade. Também distribuía um cartão de benefícios com a marca Visa, o Naskar Mundi, e assessorias de investimento e correspondentes bancários comercializavam o produto junto a seus clientes mediante comissões elevadas.

Em maio de 2026 a máquina parou: o aplicativo foi bloqueado, o site sejanaskar.com.br saiu do ar e os pagamentos cessaram. Uma fonte disse ao Valor que a empresa tinha cerca de 2.700 clientes e aproximadamente R$ 850 milhões captados; a empresa limitou-se a dizer que iniciara uma auditoria interna após identificar 'inconsistências' em sua base de dados.

Um possível encerramento de sua conta por suspeita de lavagem de dinheiro foi noticiado como o provável gatilho. O grupo de crédito Nexco, que tinha R$ 288 milhões comprometidos, entrou com ação judicial, classificando a situação como 'uma crise de confiança e de informação', enquanto a ABAI apontou o padrão clássico de fraude: retornos fixos elevados, opacidade sobre as operações subjacentes e intermediários não regulados.

Cerca de R$ 850 milhões pertencentes a aproximadamente 2.700 clientes ficaram inacessíveis; só a Nexco tinha R$ 288 milhões aplicados e recorreu à Justiça; as reclamações se acumularam no Reclame Aqui.

Prometer retornos mensais fixos muito acima dos parâmetros do mercado regulado exige sorte ou dinheiro novo — a estrutura desmorona no momento em que os aportes param.

A empresa operava inteiramente fora do ambiente regulado enquanto se apresentava como 'Naskar Bank', deixando os clientes sem a proteção da CVM ou do Banco Central.

A distribuição baseava-se em comissões elevadas por meio de assessores e correspondentes sem dever fiduciário, ampliando as vendas além do que o modelo poderia sustentar.

Quando veio o congelamento, a única comunicação da empresa foi um vago comunicado sobre auditoria interna, o que acelerou o colapso da confiança.

Um retorno fixo de 1,5–2% ao mês não é uma característica do produto, é um relógio de passivo: pagamentos que você precisa continuar fazendo com dinheiro novo terminam no momento em que a confiança termina.

A ação da Nexco foi movida em busca de proteção judicial e de informação; a ABAI afirmou que o caso estava sob investigação. O Valor noticiou que a empresa não deu aos clientes nenhuma explicação sobre o que congelou os recursos; nenhuma medida de regulador foi registrada na cobertura.

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As fontes

  1. Fintech de ex-jogador da Seleção Brasileira de Vôlei sai do ar e deixa clientes sem acesso a R$ 850 milhões Valor Econômico · valor.globo.com ·