O Melbourne Storm, equipe dominante da NRL na época e então controlada pela News Ltd, pagava sistematicamente aos jogadores valores acima do teto salarial, ocultando-os com um segundo conjunto de livros contábeis. O artifício durou cinco temporadas e envolveu A$ 1,7 milhão em gastos acima do limite. O auditor do teto salarial da NRL, Ian Schubert, descobriu os registros ocultos — a assistente pessoal do diretor-executivo Matt Hanson, solicitada a apresentar as cartas-proposta aos jogadores, chegou a indicar-lhe "a pasta no armário atrás da mesa" — e, em 22 de abril de 2010, a cúpula do clube voou a Sydney para fazer uma "revelação completa e franca".

Não havia negociação possível. Após cerca de 45 minutos, a comitiva do Storm — o presidente Rob Moodie, Hanson e o diretor Craig Watt — foi informada de que as penalidades já estavam definidas: cassação dos títulos de 2007 e 2009 e de três títulos da temporada regular, multa de A$ 500 mil, devolução de A$ 1,1 milhão em premiações e disputa do restante da temporada de 2010 sem possibilidade de somar pontos na competição. "Fomos lá por furto em loja e fomos condenados por homicídio", disse Moodie, lembrando que o comunicado à imprensa já estava redigido antes de chegarem. Os diretores foram informados de que não havia possibilidade de recurso.

Uma década depois, a disputa continuava. O capitão Cameron Smith afirmou que os jogadores do Melbourne "foram deixados à própria sorte pelo chefe do esporte"; Gallop respondeu que o desprezo deveria recair sobre os dirigentes por trás da fraude. Os ex-diretores Moodie e Peter Maher prepararam uma petição pedindo que a NRL reexaminasse a condução do caso, munidos de pareceres jurídicos segundo os quais a liga ignorou seu próprio procedimento de notificação de infração — sem notificação, sem os cinco dias para apresentar defesa, com a aplicação da sanção "reduzida ao trabalho de uma tarde". Nenhum deles nega a fraude; a disputa é sobre o devido processo e o peso da penalidade.

Cassação dos títulos de 2007 e 2009 e de três títulos da temporada regular; multa de A$ 500 mil; devolução de A$ 1,1 milhão em premiações; zero pontos na competição pelo restante de 2010.

Dirigentes do Storm mantiveram pagamentos secretos fora dos registros contábeis durante cinco temporadas para preservar um elenco campeão — vantagem competitiva comprada diretamente com violação de regras.

O esquema dependia de uma ocultação insustentável: múltiplos denunciantes dentro do clube e uma trilha documental — a pasta no armário — deixaram a NRL com os segundos livros em mãos.

Ao se apresentar depois de descoberto, o clube esperava conter os danos, mas acabou diante de sanções redigidas de antemão que sentiu não poder contestar.

O custo foi maximizado pela natureza da infração: a cassação dos títulos apagou o principal ativo do clube, e disputar sem pontos destruiu o valor da temporada de 2010 para torcedores, patrocinadores e jogadores.

A fraude prolongada transforma troféus em passivos: os segundos livros sobreviveram a auditorias de rotina até que pessoas de dentro falassem, e a sanção apagou anos de sucesso em campo em uma única tarde.

As sanções se mantiveram: o Storm disputou 2010 sem pontos e os títulos cassados nunca foram restituídos. Em novembro de 2020, após o ataque público de Cameron Smith a David Gallop, os ex-diretores Rob Moodie e Peter Maher, apoiados pelo coproprietário Gerry Ryan, prepararam uma petição para que a NRL reexaminasse as penalidades, citando pareceres jurídicos de 2014 e 2018 segundo os quais a liga não seguiu suas próprias regras, e observando o peso da penalidade diante de escândalos posteriores no Parramatta e no Cronulla. Gallop classificou Smith de "simplesmente errado" em coluna na News Corp. O artigo de origem não registra a resposta da NRL.

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As fontes

  1. 'NRL did not follow its own rules': Ex-Storm directors in fresh appeal of cap penalty The Sydney Morning Herald · smh.com.au ·