A Agritrade International, uma empresa de commodities de Singapura que atua no setor de óleo de palma e mineração de carvão, financiava-se por meio de crédito comercial: os bancos desembolsavam fundos aos fornecedores da Agritrade para compras, esperando o reembolso pela empresa ou pelos seus clientes. Entre janeiro de 2017 e novembro de 2019, a sua diretora financeira Lulu Lim Beng Kim instruiu subordinados a apresentar demonstrações financeiras não auditadas e falsas às 16 instituições financeiras que avaliavam quanto crédito conceder.
As instituições — grandes bancos do Japão, Coreia do Sul, Índia e Taiwan — desembolsaram mais de US$586,5 milhões aos fornecedores e às suas subsidiárias, e perderam S$631 milhões, um valor que a acusação classificou como 'sem precedentes e espantoso', quase igual a tudo o que os singapurianos perderam com todos os golpes em 2021. As investigações concluíram que membros da alta administração da Agritrade ajudaram a constituir essas subsidiárias fornecedoras ou integraram os seus conselhos de administração.
O esquema desmoronou quando a queda dos preços do petróleo e do carvão pressionou a empresa e surgiram alegações de fraude contra o diretor executivo Ng Xinwei e o fundador Ng Say Pek. O CAD iniciou as investigações em 15 de janeiro de 2020; Lim deixou Singapura no dia seguinte, ignorou as tentativas de contacto da polícia durante um ano, foi presa em janeiro de 2021 nos Emirados Árabes Unidos e, em 9 de dezembro de 2022, confessou-se culpada de 12 acusações de fraude e falsificação, sendo a primeira pessoa no caso a ser condenada.
Dezesseis instituições financeiras do Japão, Coreia do Sul, Índia e Taiwan perderam S$631 milhões sobre mais de US$586,5 milhões desembolsados; a acusação pediu 19,5 anos para Lim.
As demonstrações falsas eram o único elemento que os bancos usavam para dimensionar o crédito — documentos não auditados da segunda ou terceira pessoa mais importante da empresa destrancaram centenas de milhões.
As subsidiárias fornecedoras que recebiam os desembolsos foram em parte constituídas ou controladas nos conselhos de administração pela própria alta administração da Agritrade, de modo que o 'circuito comercial' retornava ao mutuário.
Dezesseis instituições em pelo menos quatro países subscreveram as mesmas demonstrações falsificadas sem detetar a fonte comum.
Quando os preços das commodities caíram e o esquema já não podia ser servido, toda a estrutura de financiamento colapsou no maior caso de fraude do género.
A lição
O financiamento comercial subscreve documentos, não mercadorias: quando a própria administração do mutuário controla ambos os lados do rasto documental, todos os bancos estão a emprestar à mesma ficção.
Lim confessou-se culpada em 9 de dezembro de 2022; a acusação pediu 19 anos e meio, argumentando que a reputação de Singapura tinha sido manchada, e a sentença foi marcada para 17 de janeiro de 2023. Lim alegou ter sido manipulada pelo fundador Ng Say Pek e negou benefício pessoal; a acusação observou o seu salário de S$400.000 antes dos bónus. As alegações de fraude contra Ng Xinwei e Ng Say Pek foram registadas; a Agritrade tinha colapsado sob a pressão dos preços.
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As fontes
- Agritrade's Singaporean CFO duped major banks worldwide, causing 'unprecedented' S$631m in losses The Business Times · businesstimes.com.sg ·