Em 20 de março de 2019, Goh Hin Calm, um singapurense de 59 anos e ex-presidente-executivo interino da Ipco International, foi condenado a 36 meses de prisão após confessar-se culpado de duas de seis acusações de cumplicidade por manipular as ações da Blumont Group, Asiasons Capital e LionGold Corp — os três papéis cuja escalada de 800 por cento em nove meses terminou no crash de 4 de outubro de 2013, que apagou cerca de US$ 8 bilhões do mercado de Singapura.
Segundo os promotores, Goh desempenhou dois papéis num esquema alegadamente orquestrado pelo empresário malaio John Soh Chee Wen e pela ex-CEO da Ipco Quah Su Ling. Desde pelo menos 2008, ele abriu múltiplas contas de negociação em corretoras por toda Singapura, em seu nome e no de sua esposa, entregando a Soh e Quah os limites de negociação e o crédito para movimentar as ações BAL. Em 2011, já era o gestor financeiro do esquema: mais de 1.200 pagamentos de entrada e saída de um pool de fundos que, em certos momentos, ultrapassou US$ 2 milhões, além de ter organizado cerca de US$ 30 milhões em pagamentos de saída em nome deles.
A acusação — que pedia três anos por acusação, em penas simultâneas — descreveu a operação como 'o esquema de manipulação de mercado mais audacioso, extenso e lesivo já visto em Singapura'. Quando ele colapsou, em outubro de 2013, as perdas foram enormes: as dívidas de negociação não pagas recaíram sobre as instituições financeiras detentoras das contas, com mais de US$ 350 milhões ainda não pagos nas 189 contas controladas, incluindo US$ 1,5 milhão nas contas do próprio Goh e de sua esposa.
A confissão de culpa de Goh ocorreu dias antes do histórico julgamento dos supostos mentores — Soh respondendo a 189 acusações, incluindo obstrução de testemunhas, e Quah a 178 —, que foi adiado para 25 de março de 2019, alimentando especulações de que ele se tornaria testemunha de acusação. Soh estava em prisão preventiva desde sua detenção em novembro de 2016.
Cerca de US$ 8 bilhões apagados do mercado de Singapura; perdas não pagas nas 189 contas de negociação controladas superam US$ 350 milhões; Goh condenado a 36 meses de prisão.
Goh forneceu a infraestrutura de que uma manipulação precisa — contas, limites de crédito e um caixa flutuante de mais de US$ 2 milhões —, tornando-o, nas palavras da acusação, 'tanto financiador inicial quanto gestor financeiro'.
O esquema apoiava-se na alavancagem em 189 contas controladas; quando o preço virou, as perdas não pagas recaíram sobre as corretoras e os bancos detentores dessas contas.
Os três papéis BAL haviam subido mais de 800 por cento em nove meses com volumes manipulados, uma alta que nenhum fundamento sustentava, antes do colapso de outubro de 2013.
Confessar-se culpado duas semanas antes do julgamento deixou exposto o caso dos mentores — e fez de Goh o primeiro dos três implicados a ser condenado.
A lição
A manipulação de mercado é uma operação de logística: quem detém as contas, as linhas de crédito e o caixa flutuante de pagamentos não é um figurante — Goh era o financiador inicial e o gestor financeiro do esquema.
A pena de 36 meses de Goh começou a ser cumprida imediatamente, com as duas penas simultâneas por cumplicidade nos termos das Seções 197(1)(b) e 109 do Código Penal. O julgamento de John Soh Chee Wen e Quah Su Ling — a maior investigação de fraude em valores mobiliários de Singapura, com mais de 370 acusações entre os dois — começou em 25 de março de 2019. As perdas não pagas nas contas controladas permaneciam sem resolução na data da sentença.
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As fontes
- Singapore's $8b penny stock crash: Goh Hin Calm jailed 36 months for abetment The Straits Times · straitstimes.com ·