No segundo semestre de 2016, Warren Buffett comprou ações da American, Delta, Southwest e United, revertendo uma vida inteira evitando companhias aéreas. Seu argumento, exposto na reunião da Berkshire de 2017: os aviões voariam com taxas de ocupação mais altas do que as que levaram a indústria à falência, e as companhias continuariam aposentando ações a múltiplos baixos — de modo que mesmo um valor de capital estável renderia 'uma taxa de retorno bastante razoável'. A economia das companhias aéreas ainda era 'terrível', ele admitiu; um retorno positivo seria 'de jeito nenhum uma barbada'.

Buffett pregara esse sermão por décadas. Seu investimento de US$ 358 milhões na US Air em 1989 'azedou antes que a tinta secasse no cheque'. Sua carta de 1992 chamou o crescimento das companhias aéreas de 'poço sem fundo' pelo qual os investidores deveriam ter sido 'repelidos'; sua carta de 2007 coroou as companhias aéreas como a 'pior espécie de negócio' e brincou que um capitalista previdente deveria ter abatido Orville Wright em Kitty Hawk. Ele admitiu que ele próprio havia 'participado dessa tolice', e atribuiu sua eventual saída da US Air a 'uma das recorrentes, mas sempre equivocadas, explosões de otimismo com companhias aéreas'.

Então a pandemia chegou. Restrições de viagem e o medo de voar arrasaram as reservas, as ações das companhias aéreas despencaram, e as empresas aceitaram resgates governamentais que restringiram recompras, exigiram bilhões em pagamentos de empréstimos e entregaram ações ao governo, enquanto duas buscaram aumentos de capital dilutivos. Cada perna da tese de Buffett — valor estável, recompras contínuas, demanda crescente — quebrou ao mesmo tempo. Em abril de 2020, a Berkshire vendeu todas as suas participações nas quatro companhias aéreas por uma fração do que pagou, e na reunião anual da Berkshire daquele mês Buffett chamou a aposta de 'erro'.

A Berkshire vendeu todas as quatro participações em abril de 2020 por uma fração do que pagou, depois que os resgates limitaram as recompras e os aumentos de capital dilutivos reescreveram a tese.

As próprias cartas de Buffett chamavam as companhias aéreas de 'poço sem fundo' que cresce enquanto ganha pouco — um alerta que ele articulou de 1992 a 2007.

Ele reentrou em 2016 com uma tese de aviões mais cheios e recompras a múltiplos baixos, reconhecendo que o retorno seria 'de jeito nenhum uma barbada'.

A COVID quebrou cada perna da tese ao mesmo tempo: a demanda entrou em colapso, as recompras foram barradas pelos termos dos resgates, e os aumentos de capital dilutivos mudaram a matemática do valor.

Ele já tinha feito exatamente esse passeio antes — seu investimento de US$ 358 milhões na US Air em 1989 'azedou antes que a tinta secasse no cheque'.

Até o investidor que passou 25 anos alertando sobre a economia das companhias aéreas entrou no ciclo de otimismo seguinte. Seu próprio memorando do 'poço sem fundo' é a lista de verificação a seguir antes de ignorá-lo.

Na reunião anual da Berkshire em 2 de maio de 2020, a saída estava completa e a confissão era pública: 'O mundo mudou para as companhias aéreas', disse Buffett. 'O futuro está muito menos claro para mim.' Os termos dos resgates das empresas — proibições de recompra, participação acionária do governo, pagamentos de empréstimos exigidos — significavam que a indústria à qual ele retornou em 2016 não existia mais na forma que sua tese exigia. Foi a segunda vez que Buffett se queimou com a mesma indústria que descreveu com mais precisão do que qualquer outra pessoa que nela investe.

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As fontes

  1. Why Warren Buffett bet on the 'big 4' airlines against his own advice, then dumped them at a loss Markets Insider (Business Insider) · markets.businessinsider.com ·