A Weinstein Company levava o nome de seu cofundador e foi construída em torno de seu histórico como produtor. Em 5 de outubro de 2017, o New York Times publicou uma reportagem detalhando décadas de acusações contra ele; oito dias depois, o conselho anunciou sua demissão, com efeito imediato.

As saídas oficiais se multiplicaram ao longo do inverno: a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas votou por expulsá-lo em 14 de outubro, a Bafta encerrou sua filiação em 2 de fevereiro de 2018, e em 11 de fevereiro os promotores de Nova York processaram a própria empresa por sua falha em proteger os funcionários. A decisão do conselho não salvou o negócio, porque o negócio era o nome.

Em 19 de março de 2018, a empresa entrou com pedido de Chapter 11 em Delaware, declarando ativos e passivos entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão, e anunciou o fim de seus acordos de confidencialidade. Um juiz de falências aprovou uma venda revisada em julho, e em 16 de julho a biblioteca de 277 filmes foi vendida à Lantern Capital Partners por US$ 289 milhões — abaixo dos US$ 310 milhões acordados, depois que o comprador assumiu os contratos do estúdio com cineastas e atores.

Demitir o fundador custou à empresa seu nome e seu valor: Chapter 11 em cinco meses, e a biblioteca de 277 filmes vendida por US$ 289 milhões, abaixo dos US$ 310 milhões.

Todo o valor do estúdio estava no nome de um homem e no histórico de um homem; o próprio modelo de negócios do conselho transformou o risco do fundador no balanço da empresa.

Oito dias entre a reportagem e a demissão não foram um plano: a expulsão, um processo estatal e a falência vieram em cinco meses, porque nenhuma estrutura de governança conseguia separar o negócio do nome.

O desconto na venda — US$ 310 milhões acordados, US$ 289 milhões pagos — era o passivo precificado: o comprador cobrou por assumir os contratos do estúdio.

Uma empresa que leva o nome de seu fundador herda todo o risco do fundador: o conselho o demitiu em oito dias, mas o negócio era o nome, e cinco meses depois ela estava falida.

A venda foi concluída em 16 de julho de 2018 e a biblioteca foi relançada como Lantern Entertainment. A empresa que levava seu nome deixou de existir; os filmes continuaram sob um novo dono.

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As fontes

  1. Harvey Weinstein timeline: How the scandal has unfolded — BBC, 24 February 2023 bbc.com
  2. Weinstein Company Fires Co-Founder Harvey Weinstein — NPR, 9 October 2017 npr.org
  3. Weinstein Co. files for bankruptcy protection and ends all non-disclosure agreements — CNBC, 19 March 2018 cnbc.com
  4. Weinstein Company files for bankruptcy — BBC, 20 March 2018 bbc.com
  5. Weinstein Co. completes $289-million sale to private equity company — LA Times, 16 July 2018 latimes.com