Num negócio movido por talento, uma aquisição compra as pessoas, não a marca — se os fundadores e as estrelas saem, você fica com um nome vazio.

A Agulla & Baccetti era, pela própria medida do setor, a agência mais criativa da Iberoamérica e uma das melhores do mundo. O El Ojo a elegeu Melhor Agência da Iberoamérica em 1999, 2001 e 2002; o Gunn Report dos EUA a classificou como a segunda melhor agência do mundo em 2006 e 2009. Conquistou um Leão de Ouro em Cannes e somava, em média, cerca de 150 prêmios por ano. Seu valor era quase inteiramente dois fundadores e o talento criativo que eles atraíam.

Em 2004 os fundadores venderam o controle. Conforme o El Cronista noticiou, eles venderiam 55 por cento de suas ações à Lowe, a agência do grupo Interpublic que já detinha 44 por cento; o mercado estimou o negócio em cerca de US$ 10 milhões. A franquia começou a se desintegrar quase de imediato: o diretor de criação estrela recusou-se a se juntar à Lowe, mais criativos seniores o seguiram, e o próprio executivo-chefe da agência falou de um vácuo de liderança — 'acefalía' — no departamento de criação. O faturamento caiu de cerca de 50 milhões de pesos em 2003 para uma expectativa de 43 milhões.

Em 1º de novembro de 2004 o nome lendário foi aposentado, passando a Lowe A&B. Em agosto de 2005 os fundadores haviam rompido os laços por completo e não eram mais acionistas; o que restou foi descrito na imprensa do setor como um 'remanescente' que a Lowe considerava fundir com outra agência. O comprador havia pago pela agência mais bem-sucedida da Argentina e adquirido apenas a casca — o ativo, as pessoas, havia saído.

O comprador pagou cerca de US$ 10 milhões por 55 por cento, mas as estrelas saíram, o faturamento caiu e o nome foi aposentado dentro de um ano.

O valor da agência era quase inteiramente dois fundadores e a cultura criativa que eles magnetizavam — uma firma movida por talento, sem fosso defensivo assim que a propriedade mudou

A lógica da holding — renomear, reconverter, integrar à rede — é exatamente o que afasta o talento móvel; o nome mudou e as estrelas saíram em poucos meses

O comprador pagou pela 'agência mais bem-sucedida da Argentina', mas adquiriu apenas a casca; num negócio de talento, as pessoas são o ativo, e elas saíram

Num negócio movido por talento, uma aquisição compra as pessoas, não a marca. Se os fundadores e as estrelas saem, o comprador fica com um nome vazio — a retenção, não o preço, decide se o ativo permanece.

O nome Agulla & Baccetti desapareceu dentro da Lowe A&B e depois dentro de um 'remanescente' de fusão. O setor ainda o cita como o caso de uma loja criativa de nível mundial que um grupo de holding comprou e não conseguiu manter — os prêmios ficaram no arquivo, mas a agência não sobreviveu à venda.

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As fontes

  1. Agulla & Bacetti será Lowe y busca director creativo — El Cronista cronista.com
  2. Agulla Baccetti pasó a ser Lowe A&B — LatinSpots latinspots.com
  3. Agulla y Baccetti se desvincularon de Lowe A&B — Adlatina adlatina.com
  4. Agulla & Baccetti — Salón de Honor del Talento Latino, El Ojo de Iberoamérica elojodeiberoamerica.com